‘Memória de um Crime’: Stallone inédito no streaming

‘Memória de um Crime’: Stallone inédito no streaming

Rodrigo Fonseca

13 de janeiro de 2022 | 11h48

Sylvester Stallone faz um coajuvante no policial “MEMÓRIA DE UM CRIME”

RODRIGO FONSECA
Tem um Stallone inédito, que não é dos melhores, mas é Stallone, na Netflix: “MEMÓRIA DE UM CRIME” (“Backtrace”), de Brian A. Miller. Dublado no Brasil por Guilherme Lopes (e não por sua habitual voz, Luiz Feier), o eterno Rocky é um coadjuvante de luxo na saga de um criminoso sem recordações, Donovan MacDonald (Matthew Modine), que pode revelar a verdade sobre um roubo que chocou seu país. As sequências de ação eletrizam, apesar de seu roteiro ter umas soluções bem chinfrins. E Modine é dublado aqui por Armando Tiraboschi, o que sempre é uma garantia de prazer para os ouvidos. A questão é: trata-se de uma produção classe B que astros de outrora, dos anos 1970 e 80, toparam fazer para bancar as contas. Em Cannes, quando foi homenageado, em 2019, Sly (apelido de São Sylvester nos EUA) falou que suas filhas por vezes tiram sarro de sua cara quando se deparam com algum filme chinfrim feito ele. Sua resposta: “Como vocês acham que eu pago os estudos de vocês?”. Modine foi uma aposta alta de Hollywood quando trabalhou com Stanley Kubrick (em “Nascido Para Matar”) e Jonathan Demme (“De Caso Com a Máfia”), mas viu sua trajetória profissional se perder em fiascos (como “A Ilha da Garganta Cortada”). Stallone voltou aos blockbusters com “Os Mercenários” (2010-2014) e com participações na Marvel (“Guardiões da Galáxia”) e na DC (como Nanaue, o Tubarão Rei de “O Esquadrão Suicida”). Modine participou de “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012) e ganhou trabalho na série “Strangers Things”.

O caso “MEMÓRIA DE UM CRIME”, um longa de baixo orçamento que não passa por salas de exibição e se paga em vedas para TVs e streamings, não é uma exclusividade de Stallone. Van Damme vive disso há anos. Recentemente, essa é a realidade de Bruce Willis, que largou as superproduções hollywoodianas e só faz filmes miúras como “Apex”, recém-lançado aqui na Paramount Plus. Filmes feitos com poucos trocados, nos quais ele trabalha menos de uma semana, com poucas falas pra decorar e embolsa US$ 1 milhão. E a presença dele é uma garantia de venda para plataformas.

p.s.: “Reviver”, de Patrícia Niedermeier e Cavi Borges. Um dos atores mais talentosos e inventivos do teatro brasileiro, Jorge Caetano tem espaço para brilhar no audiovisual em uma narrativa que brinca com a representação. O enredo: o escritor Greg é contratado para escrever um roteiro sobre a artista desaparecida Maria Guaranis. Identificando-se com a artista, se perde no labirinto da criação.

p.s.2: Vai ter filme brasileiro na competição de curtas-metragens do 72º Festival de Berlim, agendado de 10 a 20 fevereiro: “Manhã de Domingo”, de Bruno Ribeiro. Entrou ainda um projeto no Forum Expanded: “O Dente do Dragão”, de Rafael Castanheira Parrode. No dia 19 serão anunciados os concorrentes ao Urso de Ouro de longa-metragem. O filme de abertura será “Peter von Kant”, de François Ozon.

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