‘Medianeras’, um amor de sempre

‘Medianeras’, um amor de sempre

Rodrigo Fonseca

09 de agosto de 2020 | 10h33

“Medianeras” saiu consagrado da Berlinale e botou o Festival de Gramado no bolso

Rodrigo Fonseca
Autorregenerativo em reação aos problemas econômicos de sua pátria, o cinema argentino atravessou as duas últimas décadas se afirmando como uma usina de roteiros bons, graças a roteiros como o de “Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual” (2011), que acaba de entrar para a grade do Globoplay, ampliando a boa leva de títulos latino-americanos na seara nacional do streaming. De quebra, a Netflix abriu seu cardápio para “A História Oficial”, de Luis Puenzo, produção laureada com o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1986, além de ter saído de Cannes, um ano antes, com a láurea de Melhor Atriz (dada a Norma Aleando) e com o Prêmio do Júri Ecumênico. Se não bastasse, para comemorar a excelência de nossos hermanos de América do Sul, eles ainda entraram na seleção oficial de concorrentes à Concha de Ouro do Festival de San Sebastián (sua 68ª edição vai de 18 a 26 de setembro) com “Nosotros nunca moriremos”, de Eduardo Crespo. É, portanto, uma cinematografia que se renova por múltiplas janelas do audioviosual.
Neste 9 de agosto, Dia dos Pais, rolam boas risadas e algumas lágrimas de “Medianeras”, que começou sua carreira pela Berlinale, e confirmou sua potência popular ao conquistar o Kikito de melhor filme ibero-americano no 39º Festival de Gramado, em agosto de 2011. Gustavo Taretto, então um estreante em longas, assina a direção. Seu trabalho seguinte, a comédia “Las Insoladas” (2014), também esbanja potência na escrita de situações do dia a dia. Mas nada que se compara a seu primeiro filme de sucesso, centrado nas desatenções nossas destes tempos de vida digital.

Na trama, a vitrinista Mariana (a espanhola Pilar López de Ayala, de “Lope”) leva uma rotina solitária em Buenos Aires, em busca de um abraço que lhe abrigue. O mesmo acontece com o designer Martín (papel dado ao genial Javier Drolas, de “Severina”), às voltas com um cão com pinta de Chewbacca. Eles vivem frente à frente e são perfeitos um para o outro. Mas, em uma metrópole em dias de mil distrações eletrônicas, nem sempre olhar equivale a ver. A fotografia de Leandro Martínez ressalta a poluição visual de uma cidade em ebulição, desconstruindo-a numa instalação pop. Como roteirista, Taretto nos desbunda de prazer ao narrar as muitas idas e as várias vindas de Mariana e Martín. Golaço do Globoplay resgatar esse filmaço, em sua parceria com a Imovision.

p.s.: Tem “Risco Total” (“Cliffhanger”, 1993) neste domingo, às 14h, no Studio Universal, com Stallone no papel do alpinista Gabe Walker, que regressa às montanhas, das quais havia se afastado por um trauma, por imposição de um grupo de criminosos liderados por um cruel John Lightgow. Luiz Feier Motta dubla Sly nesta produção de US$ 70 milhões, que repaginou a carreira do astro, ao faturar US$ 255 milhões.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: