‘Me Tira Da Mira’, mas foca na Cleo

‘Me Tira Da Mira’, mas foca na Cleo

Rodrigo Fonseca

20 de janeiro de 2021 | 11h00

Os irmãos Cleo e Fiuk vivem parceiros de Polícia Civil em “Me Tira Da MIra”, cujas filmagens terminaram no dia 17, no RJ – @fotos de Uriel Pandini

Rodrigo Fonseca
Estrela nata, dona de uma inteligência cênica que foi sendo depurada filme a filme, gênero a gênero, de “Benjamin” (2003), seu longa-metragem de estreia, até hoje, Cleo acaba de fazer, como atriz e coprodutora, o que promete ser uma injeção de adrenalina nas veias do cinema brasileiro: “Me Tira Da Mira”, um thriller policial em que trabalha em família. Seu irmão, o ator Fiuk, e seu pai, o ícone do amor romântico da canção brasileira Fábio Jr. (cantor e astro), estão com ela em cena. Quem assina a direção do projeto, com distribuição já assegurada pela Imagem Filmes, é Hsu Chien Hsin, realizador sino-brasileiro nascido em Taiwan, famoso por sua cinefilia ardorosa. Ele fez a comédia “Ninguém Entra, Ninguém Sai” (2016) e tem ainda o esperado “Quem Vai Ficar Com Mário?” prontinho para ser lançado. “Cleo é uma atriz muito versátil”, elogia o cineasta, que já trabalhou (como assistente de direção) com Charlton Heston, Carmen Maura, Hugh Laurie, Charlotte Rampling e Irène Jacob.
Em “Me Tira Da Mira”, Roberta (Cleo) é uma funcionária dedicada da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que se infiltra como agente secreta na Clínica Bianchini de Realinhamento Energético. Sua tarefa é investigar a misteriosa morte da atriz Antuérpia Fox (Vera Fischer). Durante a investigação, Roberta precisará lidar com os dramas da atriz Natasha Ferrero (Júlia Rabello), que acabou de ser “cancelada” na internet. Ela ainda reencontra seu grande amor do passado, o policial federal Rodrigo (Sérgio Guizé), que está investigando uma suspeita de tráfico internacional envolvendo a mesma clínica. Para isso, ela vai contar com o apoio de Isabela (Bruna Ciocca), sua terapeuta, com quem, aos poucos, forma uma dupla divertida e implacável. Fábio Jr. vive Jorge, chefe da Polícia Federal. Fiuk vive o tira Lucas, que é parceiro de trabalho de Roberta na Civil. Cris Vianna, Maria Gladys, Stenio Garcia e Rodrigo Fagundes são alguns dos destaques do elenco, assim como Silvero Pereira, que viveu Lunga de “Bacurau” (2019).
Na entrevista a seguir, Cleo fala ao P de Pop de sua história nas telas.

Cleo conversa com o diretor Hsu Chien Hsin nos sets

Desde 2003, quando “Benjamin” foi exibido, você vem construindo uma trajetória que foge do óbvio. De “Qualquer Gato” a “SuperMax”, passando por “Legalidade”, você trafega por gêneros dos mais variados sem incorrer, jamais, num mesmo arquétipo da representação feminina. Mas o que norteia essas suas escolhas e o quão enriquecedor é fugir do óbvio num mundo midiático como este?
Cleo:
O que me norteia é a paixão pela versatilidade da arte, as diversas formas que eu posso ser e como isso é enriquecedor para mim como pessoa e profissional. O que eu construí ao longo dos anos com essa diversidade de personagens é o que me faz amar tanto a atuação. Eu acredito que a nossa evolução está em passar por novas experiências, adquirir novos conhecimentos e isso só fazemos quando saímos da caixa, da nossa zona de conforto. Não é nem uma decisão consciente em fugir do óbvio e sim de me interessar por personagens interessantes e que me animam, por projetos que me inspiram de certa forma.
O que um diretor com a bagagem cinéfila do Hsu te apresenta de mais desafiador?
Cleo:
Tem a ver com a amplitude de conceitos e de compreensão que ele tem, não só de como dirigir elenco, mas de como ele quer a cena no final. E por mais que ele já tenha esse conceito final, ele aceita propostas e é muito objetivo quando dá para ser – porque cinema nem sempre é tão objetivo assim. O Hsu se importa muito com o bem-estar do elenco, principalmente com as cenas de ação. Ele quer sempre priorizar o que está mais difícil para cada pessoa e tem um olhar sensível. Fora que ele é muito talentoso, tem uma noção estética que é bastante agradável e ele tem referência de todos os gêneros, ao mesmo tempo que traz a sua própria assinatura e personalidade.
Esse filme se inscreve no registro da ficção policial. Qual é a sua relação com o gênero, também presente em séries e livros, como espectadora ou mesmo como leitora?
Cleo:
Eu amo ficção policial. Adoro histórias que nos dão essa descarga de adrenalina. Curto livros assim também, mas consumo mais obras audiovisuais nesse gênero. O mais legal é fazer filmes assim. Até hoje as pessoas pedem uma sequência de “Operações Especiais” e eu amaria fazer, porque gosto de fazer as cenas de ação. Elas exigem de mim um outro lugar como atriz.
Você beirou seu momento de maior maturidade nas telas em 2015, no “Qualquer Gato 2”, na sequência com seu pai, pela maneira como os dois pareciam contracenar num registro quase documental. Qual é o registro do reencontro se vocês agora, sob a direção do Hsu?
Cleo:
Olha, este é um filme bem diferente de “Qualquer Gato Vira Lata 2”. Lá, aquela nossa cena foi um marco para mim, porque, ao mesmo tempo em que a minha personagem se reconciliava com o pai dela, havia um momento, na minha relação pessoal com o meu pai Fábio, de muita troca e entendimento um sobre o outro também. Como não temos como fugir do fato de a nossa relação ser pública, pois me viram nascer e todo mundo sabe que sou filha dele. Sempre fazem essa referência a isso. As pessoas acompanharam muito os altos e baixos. E eu acho que as pessoas torcem pela evolução e melhoria da nossa relação. Como eu e meu pai nos encontramos bastante na arte, e nos comunicamos muito bem dentro dela, acaba que (um filme como esse) é uma forma também de estarmos mais juntos e de, cada vez, mais termos o domínio dessa narrativa, porque as pessoas também criam as fantasias delas. Assim conseguimos trazer esse público para mais perto de nós, por meio da nossa profissão, que é algo que amamos fazer, e da nossa vida pessoal também, porque, tendo uma vida pública, isso acaba exposto. Eu fico muito contente de que ele tenha aceitado novamente o convite de contracenar comigo. Esse é um filme especial para mim, porque é uma obra que estou como coprodutora também e ter o apoio da minha família tem sido incrível.

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