Marvetes à espera de Venom

Marvetes à espera de Venom

Rodrigo Fonseca

21 de maio de 2021 | 20h37

Rodrigo Fonseca
Desde dezembro, a Marvel Comics tem reforçado seu histórico de invenções com “King in Black”, saga que coloca o anti-herói Eddie Brock dos Vingadores, preparando terreno para a estreia do filme “Venom: Tempo de Carnificina” (“Venom: Let There Be Carnage”), pilotado pelo eterno Gollum, Andy Serkis. Ao mesmo tempo, em solo americano, o Carnificina, que vai ser vivido nas telonas por Woody Harrelson, ganha uma série própria de HQs, chamada “Extreme Carnage Alpha nº 1”, escrita por Phillip Kennedy Johnson. Funkos dos simbiontes mais famosos dos quadrinhos também foram confeccionados, cevando a expectativas de fãs, os mesmos que fizeram de “Venom” um fenômeno, com uma bilheteria de US$ 856 milhões. Marvetes (alcunha dada aos fanáticos pelo universo de Stan Lee) tiveram motivos diversos para ir ao delírio com o divertidíssimo longa-metragem sobre Brock, começando pela evocação ao traço incomparável de Todd McFarlane, desenhista que celebrizou o personagem, nas HQs, em 1988. A anatomia gordurosa, cheia de excessos, de McFarlane está espelhada no que o filme dirigido pelo sempre ousado Ruben Fleischer (“Zumbilândia”) tem de mais potente esteticamente: a fotografia de Matthew Libatique. Ela é saturada até o ponto certo, sem repetir fórmulas pasteurizadas dos filmes de super-herói. Até porque, este thriller de fantasia – que começa trágico, como um episódio da série do “Hulk”, com Bill Bixby, e descamba pruma chanchada na linha “Deadpool” – está mais para um “filme de monstro” com Lon Chaney Jr. (astro de “O Lobisomem”, de 1941) do que para o vigilantismo de “Os Vingadores”. Apesar da má escalação do vilão (Riz Ahmed soa coxinha demais como o aspirante a Lex Luthor Carlton Drake), Fleischer conta com a atuação em estado de graça de Tom Hardy. Ele humaniza Brock em múltiplas latitudes. Tudo aqui começa como um enredo de aceitação (Brock se funde com um simbionte), protagonizado por um egocêntrico de carteirinha. Mas a narrativa sofre uma guinada, sem movimentos bruscos, para a “heroicização”, sem sacrificar a sordidez essencial de Brock. A montagem acomoda bem as cenas de ação, amplificadas pela trilha de Ludwig Göransson. No Brasil, Guilherme Briggs dubla Hardy.

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