‘Marighella’ e Estação exorcizam a ditadura

‘Marighella’ e Estação exorcizam a ditadura

Rodrigo Fonseca

07 de novembro de 2021 | 12h56

Seu Jorge vive o poeta e guerrilheiro Carlos Marighella

RODRIGO FONSECA
Glauber Rocha dizia: “Deus perdoa, mas a História, não”. Nessa sua sanha de força imperdoável, os vetores históricos hoje corrigem toda a indelicadeza pela qual “Marighella” passou, minguando dois anos e nove meio na fila de espera por uma tela onde estrear e bombar. Trata-se de um sucesso que o conservadorismo não pode debelar. E, com ele, hoje a mil em circuito, chega um reforço em forma de retrospectiva. No RJ, 16 títulos vão integrar a mostra “DITADURA NUNCA MAIS! – Filmes Para Não Esquecer”, que começa nesta segunda, no Estação Net Rio, no bairro de Botafogo. Idealizado para alimentar todo o espírito de “Basta!” em torno do longa de Wagner, o filme joga holofotes sobre os horrores do regime de farda. A proposta dessa revisão crítica cinéfila partiu de Luiz Eduardo, o programador do Estação, e de Cavi Borges, numa conexão com Adriana Rattes. Uma vez o thriller político sobre o poeta e Guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969), dirigido pelo ator baiano (celebrizado no papel do Capitão Nascimento) está se tornando um fenômeno de crítica, de mobilização social e de venda de ingressos – desde sua chegada às salas de projeção, na quinta -, Luiz e Cavi resolveram investir numa leitura plural da época e da luta que Moura retrata. Já pra esta segunda, em sua arrancada, o evento agendou joias como “AI5 – O Dia Que Não Existiu”, de Adélia Sampaio (às 14h50) e “Lamacra”, de Sérgio Rezende (às 20h40).

Falando do feérico “Marighella”… o desempenho de Seu Jorge no papel central vem contagiando a plateia, em especial no momento de uma entrevista a um jornalista francês que, ao interpelá-lo, para saber se ele é maoísta, leninista ou trotskista, recebe como resposta: “Sou brasileiro”. O inchaço nas salas, com sessões esgotadas, candidata a produção a uma estrada talhada para blockbusters de forte apelo. Wagner exibiu a produção pela primeira vez em fevereiro de 2019, na Berlinale, na Alemanha, onde foi elogiado pelo requinte de suas sequências de ação.

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