Marco do cinema silencioso será revivido na Berlinale

Marco do cinema silencioso será revivido na Berlinale

Rodrigo Fonseca

05 Dezembro 2017 | 12h22

“The Ancient Law” (1923): era muda

Rodrigo Fonseca
No esforço para fazer de sua 68ª edição, agendada de 15 a 25 de fevereiro, uma festa entre o pop e a cultura erudita, o Festival de Berlim acaba de resgatar do baú audiovisual da Alemanha um clássico europeu da era muda: The Ancient Law (Das Alte Gesetz, 1923), de Ewald André Dupont (1891-1956). O longa-metragem será exibido numa cópia restaurada, no cardápio da Berlinale Classics, acompanhado de orquestra ao vivo. A produção foi um marco no modo de representar o ethos judaico nas telas, a partir da saga de um jovem, filho de rabino, que desafia tradições de sua família a fim de se tornar um ator de prestígio. Seu prestígio popular nos palcos contribui para ampliar a aceitação dos judeus em uma era de tensões. Tem mais coisa por vir na seleta de reprises, resgates e arquivos do evento alemão. Fala-se até de uma potencial comemoração dos 20 anos de Central do Brasil, que saiu de lá com o Urso de Ouro em 1998. Mas os olhares da imprensa europeia estão mais focados nas prováveis estreias na disputa pelos prêmios germânicos, que serão julgados por uma comissão presidida pelo cineasta Tom Tykwer (de Triângulo Amoroso). Para a abertura, já está acertada a projeção de Ilha de Cachorros (Isle of Dogs), animação pilotada por Wes Anderson. Mas tem um bolão de apostas formado em torno do que pode ou não ficar pronto no prazo para concorrer em solo berlinense. Especula-se sobre: Piedade, de Cláudio Assis, com Fernanda Montenegro e Cauã Reymond; o musical A Hora do Monstro, do filipino Lav Diaz; o suspense Eva, do francês Benoît Jacquot; o thriller Entebbe, de José Padilha; o documentário Fahrenheit 11/9, do americano Michael Moore, centrado na Era Trump; a sci-fi Annihilation, do inglês Alex Garland, mesmo do cult Ex Machina: Instinto Artificial (2014); a dramédia Ladies in Black, do australiano Bruce Beresford com a inglesa Julia Ormond; e Belleville Cop, comédia do franco-argelino Rachid Bouchareb concebida para dar ao astro Omar Sy (Intocáveis) um prêmio internacional capaz de fazer jus à sua popularidade. Nada disso foi confirmado, mas…