Marcha para o Lido atrás do Leão de Ouro 2020

Marcha para o Lido atrás do Leão de Ouro 2020

Rodrigo Fonseca

23 de junho de 2020 | 12h35

Rodrigo Fonseca
Depois de o filé do filme de autor internacional de 2020 ter sido referendado com a logo de Cannes, a indústria audiovisual em peso se pergunta o que pode sobrar para Veneza, que vai mobilizar o Lido de 2 a 12 de setembro, com a expectativa de inaugurar sua nova edição com um Spielberg inédito: “West Side Story”. A estimativa é que a nova versão de “Amor Sublime Amor” (1961) vá abrir o evento veneziano. Mas já há alguns títulos cotados para a briga pelo Leão de Ouro deste ano, sendo “On The Rocks”, de Sofia Coppola, a principal aposta, calçado no carisma de Bill Murray como um pai ricaço em busca de uma reinvenção afetiva com sua filha. Mas é grande também a boataria em torno de “Lingui”, do chadiano Mahamat-Saleh Haroun, sobre uma mãe muçulmana às voltas com o desejo da filha adolescente de fazer um aborto. É forte a torcida para que o japonês Hayao Miyazaki, o Walt Disney da Ásia, finalize seu novo desenho animado, “How Do You Live?”, a tempo de concorrer. A França vai atacar com Balzac, numa adaptação de “A Comédia Humana”, com direção de Xavier Giannoli, com Gérard Depardieu em cena. O veterano ator ainda regressa pelas vias literárias de Georges Simenon em “Maigret et la jeune morte”, de Patrice Leconte. Ganhador do Leão de 2012 com “Pietá”, o sul-coreano Kim Ki-Duk volta à peleja por prêmios com uma animação de tons existenciais. E deve ter argentino em competição também: Santiago Mitre, de “Paulina” (2015), vai ter um thriller pra lançar, chamado “Petite Fleur”. Nele, Daniel Hendler vive um sujeito obcecado com a ideia de que seu vizinho é um inimigo, optando por assassiná-lo. O problema é que este renasce a cada dia, misteriosamente. De língua portuguesa, rumores cercam “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, de João Botelho, com Chico Diaz, que estreia em terras lusas no dia 24/9. E tudo indica que Veneza vai receber o primeiro trabalho da atriz alemã Fanka Potente (“Corra, Lola, Corra”) como diretora: “Home”, com Kathy Bates.

“Petite Fleur”, de Santiago Mitre

p.s.: Vencedor de três prêmios no Festival do Rio 2019, “Breve Miragem de Sol” (“Burning Night”), oitavo longa de Eryk Rocha (ganhador do troféu L’Oeil d’Or de Cannes com “Cinema Novo”) será o tema da próxima live no instagram da Globo Filmes, na próxima quinta, 25 de junho, às 18h. O diretor conversará com os protagonistas Fabricio Boliveira e Barbara Colen. Rodado no Rio de Janeiro, “Breve Miragem de Sol” conta história de Paulo (Boliveira), um homem que busca se reinventar após ficar desempregado e começa a dirigir um taxi nas noites cariocas.

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