‘Mama Colonel’, a vigilante da esperança

‘Mama Colonel’, a vigilante da esperança

Rodrigo Fonseca

04 de novembro de 2019 | 13h08


RODRIGO FONSECA
Como a circulação de filmes oriundos de países africanos ainda é escassa em nosso circuito de exibição, a chegada às telas brasileiras de um longa-metragem como o. doc “Mama Colonel”, do congolês Dieudo Hamadi, deve ser saudada como uma conquista ética para espectadores: no dia 7 de novembro, quinta-feira, a produção entra em cartaz no Cine Joia em Copacabana. Sob os auspícios do diretor Raphael Geyer Aguinaga, animado uma vez mais por um agitador cultural nato, o programador Raphael Camacho (herdeiro da melhor tradição de Fabiano Canosa e Cosme Alves Neto), o cineminha mais charmoso da Zona Sul carioca fisgou essa gema documental da programação da Berlinale 2017, de onde seu diretor saiu com o prêmio da mostra Fórum. Uma das sensações do festival alemão, o longa acompanha o dia a dia da oficial de Polícia Honorine “Mama” Munyole, especializada em lutar contra a violência que aflige mulheres e crianças. O roteiro filmado por Hamadi flagra a mudança na rotina dela com a transferência de uma área rural, na cidade de Bukavu, para um outro (e movimentado) local, Kisangani, onde passa a despertar a desconfiança de moradores machistas que não a conhecem.

O diretor Dieudo Hamadi

Via Facebook, o realizador conversou com o P de Pop sobre os debates comportamentais que Honorine ajuda a abrir com sua peleja diária.

O que você aprendeu com a Coronel Honorine sobre a luta das mulheres pela igualdade e o que a história dela denuncia da prática machista?
Dieudo Hamadi: Graças à Coronel Honorine, percebi que as mulheres ainda não eram incluídas plenamente às nossas sociedades. E e
ste filme denuncia isso. A exclusão sexista parece ainda pior na sociedade congolesa, onde a mulher é muitas vezes reduzida a um objeto que se pode possuir à vontade. Lá, o papel delas é limitado a fazer filhos. No mundo profissional, o que pode ser tolerado várias vezes a um homem é inadmissível para uma mulher. Mesmo que seja igualmente competente, uma mulher é forçada a trabalhar dez vezes mais duramente para alcançar visibilidade ao lado do homem.
Como pode descrever o sexismo no Congo?
Dieudo Hamadi:
Sexismo é algo estrutural no Congo, infelizmente. Está enraizado em nossas tradições, encorajado e legitimado por nossas crenças, nossas religiões. A única maneira de lutar eficazmente contra o sexismo, o filme “Mama Colonel” existe para isso, é a educação. Infelizmente, o ensino ainda não é um sector prioritário no Congo.
Como descrever a indústria cinematográfica do Congo, que produziu um filme tão poderoso?
Dieudo Hamadi:A indústria cinematográfica do Congo é quase inexistente. A produção de filmes é frequentemente um milagre, que se baseia em esforços individuais, na vontade de todos e, por vezes, em subsídios estrangeiros.

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