Mais e melhores joias do ‘streaming’ vs. Coronavírus

Rodrigo Fonseca

16 de março de 2020 | 14h12

Rodrigo Fonseca
Uma vez que o mundo caiu aos pedaços diante do Coronavírus, e, aqui no RJ, as salas de exibição estão fechadas, resta aos espectadores o paraíso do streaming. Confira a seguir algumas iguarias desse mundo digital ao alcance dos dedos numa tela de celular ou num computador perto de você:

Mubi
“Junun” (2015)
Neste memorável documentário em média-metragem de Paul Thomas Anderson (um diretor imune a erros), o músico Jonny Greenwood viaja pelos confins do Rajastão em busca das múltiplas sonoridades indianas, colecionando experiências sensoriais.
“3 Idiotas” (2009)
Bollywood explode em todo seu colorido, pelas veredas do humor, nesta chachada sobre juventude perdida a partir da expedição sentimental de um trio de colegas de escola à cata das memórias perdidas. Rajkumar Hirani assina a direção desta hilária comédia musical que vai fazer a canção “All Izz Well” grudar nos seus ouvidos.
Globoplay
“O Mar de Árvores” (2015)
Vaiado injustamente em Cannes, este ensaio sobre autoajuda de Gus Van Sant nunca estreou nos cinemas brasileiros, mas traz uma atuação primorosa de Matthew McConaughey, como um viúvo que decide se matar numa floresta do Japão depois da morte de sua mulher (Naomi Watts). Mas sua jornada em busca do fim vai ser cruzada por visitantes misteriosos, numa metafísica de reinvenção do cotidiano. A fotografia de Kasper Tuxen embriaga o olhar com sua suntuosa utilização de cores.
“Zarafa” (2012)
Um dos achados do Festival de Berlim do início desta década, exibido na mostra Geração do evento alemão, este desenho animado de Rémi Bezançon e Jean-Christophe Lie acompanha as andanças de um garotinho sudanês pelo mundo a fim de proteger sua melhor amiga, uma girafa.
“O Filho de Saul” (2015)
Ao elencar seus preferidos da década de 2010, Steven Spielberg pôs esta joia húngara em relevo. Trata-se de um mergulho nos horrores do Holocausto, dirigido pelo estreante em longas-metragens László Nemes, que saiu de Cannes com o Grande Prêmio do Júri, o Prêmio da Crítica (atribuído pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica, a Fipresci) e o Prix François Chalais, que ressalta a documentação de fatos marcantes para a afirmação da vida. E o fato em questão no longa de Nemes é o calvário do Sonderkommando, grupo judeu forçado pelos nazistas a ajudá-los nos extermínios nos campos de concentração. Saul Ausländer foi a pessoa escolhida por Nemes para servir de guia para o olhar do espectador. Interpretado pelo poeta e músico Géza Röhrig numa atuação de gelar estômagos, Saul é um Sonderkommando húngaro encarregado de cuidar do forno crematório de Auschwitz-Birkenau. Ao encontrar o cadáver de um menino que deve incinerar, ele passa a crer que aquela criança poderia ser seu filho e decide dar a ele um enterro digno, sob as bênçãos de um rabino. Mas para isso, terá de driblar o cerco dos nazistas a seu redor. Suas idas e vindas entre os labirínticos corredores do campo de concentração rendem sequências vertiginosas, com a câmera sempre restrita aos limites do olhar de Saul, como se reproduzindo suas sensações.

Amazon
“Robin Hood” (2018)
Otto Bathurst, diretor da ótima série “Peaky blinders”, torrou US$ 100 milhões numa releitura à la “Game of Thrones” do personagem, adaptada com as transformações sociais do Brexit ao retratar as moléstias financeiras do Reino Unido. Com ótimas cenas de ação, Bathurst abre o longa-metragem com uma memorável sequência tipo jogo de tiro (“Doom”) nas Cruzadas e, dela em diante, faz uma aventura com viradas contínuas e com evolução moral de seu protagonista, apoiado no carisma ilimitado de Taron Egerton. Só Ben Mendelsohn brilha mais do que ele, numa afetadíssima recriação do xerife de Nottingham.
Netflix
“Dirty Harry na lista Negra” (1988)
Patricia Clarkson, Jim Carrey e Liam Neeson servem como coadjuvantes nesta aventura derradeira do inspetor Harry Callahan, dirigida por Buddy Van Horn com uma dose a mais de brutalidade do que a habitual aspereza inerente ao personagem celebrizado por Clint Eastwood a partir de “Perseguidor Implacável” (1971). Márcio Seixas dubla o ator no Brasil, neste thriller policial em que uma série de celebridades vão sendo assassinadas tendo o próprio universo do cinema, da produção de filmes B, como cenário.

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