‘Magari’, a palavra poética de Marrakech

‘Magari’, a palavra poética de Marrakech

Rodrigo Fonseca

03 de dezembro de 2019 | 07h41

RODRIGO FONSECA
Traduzido em português pela palavra “talvez”, ou pela expressão “se calhar”, “Magari” é um termo que a produtora Ginevra Elkann escolheu para batizar seu longa-metragem de estreia na direção, com o qual marca um golaço no placar autoral da Itália nas telas internacionais. E se fala esse termo por todos os cantos cinéfilos de Marrakech desde ontem, quando o maior festival de cinema da cidade exibiu o filme dela, ambientado nos anos 1980, para o público local, em sessão hors-concours, para uma plateia que se escangalhava de rir, em especial nas referências ao agente Steve Austin. Esse é o nome do coronel vivido por Lee Majors na série “O Homem de Seis Milhões de Dólares” (1974-1978). O seriado, sobre um herói biônico, é um fetiche para um dos filhos do roteirista vivido (nas raias do esplendor) por Riccardo Scamarcio. Com o fim de seu casamento, ele precisa cuidar de seus três rebentos, que vivem com a mãe na França. O trio volta para o território italiano para uma temporada com o paizão atrapalhado, que, agora, divide seu coração com uma namorada (Alba Rohrwacher, hilária). A moça, que tem sempre um “baseado” à mão, vai ajudar seu amado numa tarefa árdua: exercer sua paternidade com seriedade e aprender a ser adulto.
Quinta-feira é dia de comemoração dos 40 anos de “Mad Max” (1979) em Marrakech, que abriu uma mostra paralela em homenagem a clássicos da Austrália nas telas. George Miller redesenhou as noções de cinema de gênero relativas ao retrofuturismo e às distopias ao criar um Amanhã motorizado, no qual um policial caça uma gangue de desordeiros das estradas.
Neste sábado, o Festival de Marrakech chega ao fim, com a entrega dos prêmios pelo júri presidido por Tilda Swinton. “Dente de leite” (“Babyteeth”), de Shannon Murphy, produção vinda da Austrália do Louco Max de Miller, é o favorito a prêmios até agora. Mas, na quinta, “A Febre”, da carioca Maya Da-Rin, passa por aqui com fôlego para mudar o placar. Nele, a diretora narra os dilemas do índio Justino (Regis Myrupu) diante da aparição de um misterioso animal em sua vizinhança e diante de uma moléstia que altera as CNTP de seu corpo.

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