‘Mad Max’ torna este domingo ‘maior’

‘Mad Max’ torna este domingo ‘maior’

Rodrigo Fonseca

07 de março de 2020 | 10h48

RODRIGO FONSECA
Com uma bilheteria estimada em US$ 375 milhões e um prestígio vitaminado com a conquista de seis Oscars, “Mad Max: Estrada da Fúria” (“Mas Max: Fury Road”) vai ser a atração deste “Domingo Maior”, às 23h50, na TV Globo, apoiando-se na força da figura da Imperatriz Furiosa, vivida por Charlize Theron, como sendo um símbolo de empoderamento. Encarado como um dos pilares do cinema australiano desde sua estreia na direção, em 1971, o diretor deste superespetáculo, George Miller, virou a década de 2010 sendo tratado como um cineasta em renovação. Goza desse status por conta do frescor (e dos riscos) impressos em cada cena dessa obra-prima que a TV aberta apresenta neste domingo. Sua estreia mundial se deu no Festival de Cannes de 2015, no coração da Croisette. À época, em solo cannoise, Miller assumiu o lado trash da nova aventura de Max, vigilante de um futuro apocalíptico antes celebrizado por Mel Gibson e agora vivido por Tom Hardy, em memorável atuação. É Max quem vai ajudar a Furiosa Charlize a proteger um grupo de mulheres de um déspota. Na versão brasileira, Guilherme Briggs dubla Hardy e Fernanda Baronne empresta a voz à personagem de La Theron.

“Corri anos atrás de um caminho para filmar essa história. Desde 1999, a gente vem tentando tirar este enredo de “Estrada da Fúria” do papel, mas fomos atropelados por incidentes globais diversos, como a tragédia do 11 de Setembro, que retardaram nossos planos”, disse Miller ao P de Pop. “Naquela época ainda havia a presença de Mel no projeto, pois a franquia nasceu com ele, nos anos 1970. Mas, depois, fora percalços da História, a produção atrasou e ele entrou num turbilhão de questões pessoais. Cheguei a pensar em Heath Ledger, um australiano como eu, mas ele morreu tragicamente em 2008, o que foi uma perda inestimável. Foi diante dessa perda que a figura de Tom Hardy, um ator excepcional, apareceu, com a constituição física necessária para o papel. Ele daria vida ao papel de um homem condenado à solidão”.

Na fase de escalação de atores para “Mad Max: Estrada da fúria”, Miller convidou Charlize por conta da experiência dela como bailarina, antes de seus tempos de modelo e antes da fase atriz. Muito respeitada por seus talentos de interpretação, ela chegou às passarelas aos 14 anos e desfilou até os 20. E, até hoje, empresta seu rosto a marcas famosas, como a grife Dior. Essas credenciais seduziram Miller. “Nós temos um mundo de ódio para representar. O novo ‘Mad Max’ é um filme de muita exigência física, no qual eu uso mais os músculos dos atores do que a habilidade que eles têm para decorar diálogos. Precisava de uma atriz de muita potência dramática, mas com a disciplina do balé. E isso é uma coisa que Charlize tem de sobra”, disse o cineasta na Croisette, um ano antes de presidir o júri do festival e conceder a Palma de Ouro a Ken Loach e seu “Eu, Daniel Blake” (2016). “Nosso filme traz um olhar sobre as pessoas que cercam Max e lhe servem de contraponto”.

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