‘Mad Max’ torna este ‘Domingo… Maior’ na TV

‘Mad Max’ torna este ‘Domingo… Maior’ na TV

Rodrigo Fonseca

10 de janeiro de 2021 | 14h54

RODRIGO FONSECA
Com uma bilheteria estimada em US$ 375 milhões e um prestígio vitaminado com a conquista de seis Oscars, “Mad Max: Estrada da Fúria” (“Mas Max: Fury Road”) vai ser a atração deste “Domingo Maior”, às 22h50, na TV Globo, apoiando-se na força da figura da Imperatriz Furiosa, vivida por Charlize Theron, como sendo um símbolo de empoderamento. Não por acaso, a personagem vai ganhar um longa só dela, centrada em suas origens: “Furiosa”, com Anya Taylor-Joy, Chris Hemsworth, Yahya Abdul-Mateen II. A estreia está prevista para 2023, sob a direção de George Miller. É ele quem idealizou a saga “MM”. Encarado como um dos pilares do cinema australiano desde sua estreia na direção, em 1971, Miller, virou a década de 2010 sendo tratado como um cineasta em renovação. Goza desse status por conta do frescor (e dos riscos) impressos em cada cena dessa obra-prima que a TV aberta apresenta neste domingo. Sua estreia mundial se deu no Festival de Cannes de 2015, no coração da Croisette. À época, em solo cannoise, Miller assumiu o lado trash da nova aventura de Max, vigilante de um futuro apocalíptico antes celebrizado por Mel Gibson e agora vivido por Tom Hardy, em memorável atuação. É Max quem vai ajudar a Furiosa Charlize a proteger um grupo de mulheres de um déspota. Na versão brasileira, Guilherme Briggs dubla Hardy e Fernanda Baronne empresta a voz à personagem de La Theron.
“Corri anos atrás de um caminho para filmar essa história. Desde 1999, a gente vem tentando tirar este enredo de “Estrada da Fúria” do papel, mas fomos atropelados por incidentes globais diversos, como a tragédia do 11 de Setembro, que retardaram nossos planos”, disse Miller ao P de Pop. “Naquela época ainda havia a presença de Mel no projeto, pois a franquia nasceu com ele, nos anos 1970. Mas, depois, fora percalços da História, a produção atrasou e ele entrou num turbilhão de questões pessoais. Cheguei a pensar em Heath Ledger, um australiano como eu, mas ele morreu tragicamente em 2008, o que foi uma perda inestimável. Foi diante dessa perda que a figura de Tom Hardy, um ator excepcional, apareceu, com a constituição física necessária para o papel. Ele daria vida ao papel de um homem condenado à solidão”.

Na fase de escalação de atores para “Mad Max: Estrada da fúria”, Miller convidou Charlize por conta da experiência dela como bailarina, antes de seus tempos de modelo e antes da fase atriz. Muito respeitada por seus talentos de interpretação, ela chegou às passarelas aos 14 anos e desfilou até os 20. E, até hoje, empresta seu rosto a marcas famosas, como a grife Dior. Essas credenciais seduziram Miller. “Nós temos um mundo de ódio para representar. O novo ‘Mad Max’ é um filme de muita exigência física, no qual eu uso mais os músculos dos atores do que a habilidade que eles têm para decorar diálogos. Precisava de uma atriz de muita potência dramática, mas com a disciplina do balé. E isso é uma coisa que Charlize tem de sobra”, disse o cineasta na Croisette, um ano antes de presidir o júri do festival e conceder a Palma de Ouro a Ken Loach e seu “Eu, Daniel Blake” (2016). “Nosso filme traz um olhar sobre as pessoas que cercam Max e lhe servem de contraponto”.

Para ter um vilão poderoso o suficiente para perseguir Max e a Furiosa, Miller construiu um criminoso de verve épica, Immortan Joe, e convidou um ás dos palcos para interpretá-lo: o indiano radicado na Austrália Hugh Keays-Byrne (1947–2020), morto no dia 1º de dezembro. É Márcio Simões quem dubla Joe.

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