Macbeth de Fassbender invade o Marrocos

Macbeth de Fassbender invade o Marrocos

Rodrigo Fonseca

18 de novembro de 2019 | 01h07

RODRIGO FONSECA
Indicado à Palma de Ouro, em 2015, mas pouco valorizado em sua estreia comercial, a versão do diretor australiano Justin Kurzel para “Macbeth”, de William Shakespeare, há de ganhar uma sobrevida no audiovisual, com sua escalação para uma projeção de gala, ao ar livre, na 18ª edição do Festival de Marrakech, agendada de 29 de novembro a 7 de dezembro, no Marrocos. Na mais seção Open Air vai ter “King Kong” (2005), de Peter Jackson, e “Butch Cassidy” (1969), de George Roy Hill, além da produção egípcia “A day for women”, de Kamla Abouzekri. Robert Redford é homenageado deste ano, no evento, que vai dar glórias ao clássico da dramaturgia do bardo inglês. Não é uma novidade para o cinema o fato de que “a vida é cheia de som e de fúria”, pois Orson Welles, Roman Polanski e Akira Kurosawa já haviam nos ensinado em isso em suas releituras autorais para uma das peças mais importantes do repertório de Shakespeare. A ousadia de Kurzel (“Os crimes de Snowtown”) foi recontar a história do guerreiro que passa de soldado a rei pelos trilhos da traição com a linguagem estroboscópica com a qual a multidão de espectadores de “Game of Thrones” possa se identificar. A presença de Michael Fassbender (“Shame”), com seus mil e um talentos dramáticos à toda, já seria um aríete suficiente para abrir caminho para uma carreira de blockbuster para esta adaptação. Mas a ousadia foi tirar o foco de Lady Macbeth, vivida aqui pela sempre impávida Marion Cotillard, e deixar o macho alfa da dramaturgia do bardo brilha com mais intensidade. Para isso, diretor e ator optaram por uma releitura que entendem Macbeth como um combatente traumatizado, inspirado por militares americanos que voltaram do Afeganistão, Iraque e afins. É um filme pop, mas denso, com tomadas de batalha dignas de uma boa HQ de Conan, o Bárbaro da Ciméria.

Presidido por Tilda Swinton, o júri do 18º Festival de Marrakech conta com o pernambucano Kleber Mendonça Filho, diretor de “Aquarius” (2016) e do fenômeno “Bacurau” (codirigido por Juliano Dornelles), ainda em cartaz. Além de Kleber, o time de jurados conta com as diretoras Rebecca Zlotowski (francesa) e Andrea Arnold (inglesa), a atriz franco-italiana Chiara Mastroianni, o ator sueco Mikael Persbrandt, o escritor e diretor afegão Atiq Rahimi, o realizador australiano David Michôd e o cineasta marroquino Ali Essafi.

Em competição estão: “Dente de leite” (“Babyteeth”, Austrália), de Shannon Murphy; “Bombay Rose” (Índia), de Gitanjali Rao; “A febre” (Brasil), de Maya Da-Rin; “Last visit” (Arábia Saudita), de Abdulmohsen Aldhabaan; “Lynn + Lucy” (Reino Unido), de Fyzal Boulifa; “Mamonga” (Sérvia, Bósnia Herzegovina, Montenegro), de Stefan Malesevic; “Mickey and the Bear” (EUA), de Annabelle Attanasio; “Mosaic Portrait” (China), de Zhai Yixiang; “Nafi’s father” (Senegal), de Mamadou Dia; “Scattered night” (Coreia do Sul), de Lee Joh-young; “Sole” (Itália, Polônia), de Carlo Sironi); “Tlamess” (Tunísia), de Ala Eddine Slim; “The unknown saint” (Marrocos), de Alaa Eddine Aljem; e “Tantas almas” (Colômbia, Brasil), de Nicolás Rincón Gille.

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