Luis Ospina e a resistência autoral colombiana

Luis Ospina e a resistência autoral colombiana

Rodrigo Fonseca

28 de junho de 2017 | 11h50

Documentário mais recente de Luis Ospina, um mestre da estética brutalista da Colômbia, está no páreo do troféu Platino

RODRIGO FONSECA
Encarado como o Oscar da integração latino-americana, conectando todo o continente e territórios ibéricos, o troféu Platino, que este ano será entregue em Madri, no dia 22 de julho, coroou a Colômbia maciçamente em 2016, com a vitória (de lavada) de O Abraço da Serpente, e, agora, pode ver um outro estandarte da estética colombiana – este com status de mestre – ser laureado: Luis Ospina. No páreo da estatueta hispânica na categoria Melhor Documentário, por Todo Comenzó Por El Fin, o mítico cineasta de 68 anos, aclamado na Europa por cults como Vampiros da Miséria (1977) e Um Tigre de Papel (2008), tem sua obra em retrospectiva no Rio de Janeiro neste momento, na Caixa Cultural, que passa em revista seu estilo brutalista, entre o Real e o horror simbólico, até 9 de julho. Dia 1º – este sábado – a mostra organizada sob a curadoria de Lúcia Ramos Monteiro traz Ospina ao Brasil, para falar de resistência, longevidade autoral e da recente visibilidade de seu país em telas do exterior. De lá, no Platino, ele não é o único. Tem cheiro de Colômbia ainda entre os concorrentes aos prêmios de Roteiro (El Acompañante), Atriz (Angie Cepeda, indicada por La Semilla Del Silencio, e Juana Acosta, no páreo por Anna) e Melhor Minissérie, cujo concorrente é La Niña.

Aos 68 anos, o cineasta palestra no Rio, na Caixa Cultural, neste sábado, 15h

Vem crescendo ano a ano, prêmio a prêmio, evento em evento a presença internacional do cinema colombiano, como reflexo de uma política de estado que, a partir de 2011, decidiu investir no fortalecimento do parque exibidor daquele país, a começar pela região de Bogotá. Hoje, entre todas as pátrias da Pangeia latina, nenhum país expande mais seu circuito do que a Colômbia, que emplacou uma entrada em Cannes há cinco anos com uma coprodução com o Brasil, La Playa D. C., alternando uma série de sucessos em festivais de grande porte. Foi assim como o já citado O Abraço da Serpente, de Ciro Guerra, que já prepara seu novo longa (uma ficção científica); com A Terra e a Sombra, de César Augusto Acevedo; e o recente La Defensa Del Dragón, de Natalia Santa, exibido este ano na Croisette, na Quinzena dos Realizadores.

“Pura Sangre” (1982) é um dos filmes mais cultuados do diretor, por seu diálogo com as cartilhas do horror

O entendimento da atual saúde financeira do audiovisual colombiano – feito para tela grande – assim como de sua posição alarmista em relação às suas contradições sociais internas depende de um estudo da produção de autores que, a partir dos anos 1970, ousaram buscar um retrato interno entre o fato e o mito. Ospina é um ícone dessa linhagem, apelidada de Caliwood. Dele, o delicado recorte feito pela mostra na Caixa Cultural – uma atração obrigatória para a formação cinéfila neste ano – incluiu duas pepitas: o alegórico Pura Sangre (prêmio da crítica em 1983 no Festival de Stiges) e a aula de desenho biográfico Andrés Caicedo: Uns Poucos Bons Amigos (1986). O primeiro passa no dia 6, às 15h. O segundo tem sessão nesta quarta, às 17h, e volta a ser exibido no dia 7, também às 19h.  

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