‘Lua de Júpiter’, o ‘Matrix’ da Hungria

‘Lua de Júpiter’, o ‘Matrix’ da Hungria

Rodrigo Fonseca

24 Maio 2018 | 14h06

“Lua de Júpiter”: pérola de Cannes

Rodrigo Fonseca
Húngaros também são bons de adrenalina, como comprova Lua de Júpiter, filmaço das terras de Béla Tarr previsto para estrear no Brasil até julho. Com sequências de perseguição de carro capazes de matar Vin Diesel e seu Velozes e Furiosos de inveja, o thriller fantástico, batizado de  Jupiter’s Moon, foi uma das maiores apostas comerciais do circuito europeu entre os concorrentes à Palma de Ouro de 2017, tendo mostrado ao Velho Mundo que a Hungria também é capaz de produzir espetáculos audiovisuais carregados de adrenalina. Isso porque o país responsável por cults como O Filho de Saul e Cavalo de Turim é mais conhecido por narrativas transgressoras contemplativas sem conexões com o padrão pipoca. Mas há um sabor pop no novo (e mais maduro) longa-metragem de Kornél Mundruczó (de Delta), que parece até um filme de super-herói, por ter um personagem voador.

Misto de fantasia, suspense e denúncia polítitica, Lua de Júpiter acompanha a ciranda de perigos em que o refugiado Aryaan (Zsombor Jéger) se envolve após ser baleado gravemente e descobrir que pode não apenas regenerar suas feridas como pode flutuar. Um médico alcoólatra e decadente, incumbido de cuidar de imigrantes ilegais, o dr. Stern (Merab Ninidze, numa atuação impecável), tentará tirar proveito dos dons do rapaz, seu paciente. Mas, aos poucos, os dois vão travar uma amizade cerzida a desabafos que expõem as feridas abertas da Europa.