Louis Garrel em 220 volts e 360 graus

Louis Garrel em 220 volts e 360 graus

Rodrigo Fonseca

18 de fevereiro de 2022 | 11h36

Louis Garrel em “O Festival do Amor”, que segue em cartaz no Rio, em sessões no Estação NET Gávea

RODRIGO FONSECA
Ímã de elogios na Berlinale, onde emprestou a voz a um boneco Ken no hiário “Coma”, de seu conterrâneo Bertrand Bonello (filme laureado com o Prêmio da Crítica, dado pela Fipresci, na quarta-feira), o francês Louis Garrel anda com sua agenda abarrotada para 2022, a julgar pelas notícias que rondam seu nome egressas de terras germânicas. É certa a presença dele no que pode ser “o” sucesso francês do ano: o díptico “Les Trois Mousquetaires”, de Martin Bourboulon, dividido em duas partes: “D’Artagnan” e “Milady”. Ele ainda estará no novo longa de seu pai, o mítico cineasta Philippe Garrel: “La Lune Crevée”. Participa ainda de “L’Envol”, de Pietro Marcello, e de “L’Ombra di Caravaggio”, de Michele Placido. E há quem jure de pé junto que ele vá retomar sua parceria com Woody Allen, iniciada no belo “O Festival do Amor”, hoje em cartaz no Rio de Janeiro, no Estação NET Gávea. Suspeita-se de que ele vá protagonizar o longa que o octogenário realizador nova-iorquino vai rodar em Paris, entre março e junho. Sabe-se apenas que o filme não será uma comédia e, sim, um conto moral dramático, nos moldes de “Match Point” (2005).
“A França é uma terra marcada pela diversidade no cinema. E essa diversidade é alimentada por mestres, como Leos Carax, Olivier Assayas, André Téchiné, e Carrière, sempre generoso. Já havia consultado Carrière antes, em meu longa anterior, ‘Dois amigos’, e ouvi dele, com seu bom humor precioso, uma lição de sabedoria. Ele me disse: ‘Vou te ensinar um truque de roteiro pra te ajudar pela vida inteira. Sempre que você pensar que vai exagerar no mel numa cena entre um casal, coloque um terceiro personagem, sem muito relevo para a trama, como testemunha do que se passa. Faça essa pessoa reagir com desdém, ou mesmo com nojo, diante de todo o açúcar que você adicionar aos beijos de seu casal. O público vai rir´. Ouvi esse conselho e pus em prática. Deu certo. Carrière é um professor mesmo. Fazer cinema é a arte de saber ouvir”, disse Louis em recente entrevista ao P de Pop, em San Sebastián “Não sei muito explicar o que existe por trás das histórias que conto, mas conheço bem os sentimentos que existem por trás dela”.

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