Lisboa entre remake de ‘O Segredo dos Seus Olhos’ e Bill Murray

Lisboa entre remake de ‘O Segredo dos Seus Olhos’ e Bill Murray

Rodrigo Fonseca

19 de novembro de 2015 | 08h36

Chiwetel Ejiofor é o Ricardo Darín deste thriller, ao lado de Julia Roberts

Chiwetel Ejiofor é o Ricardo Darín deste thriller, ao lado de Julia Roberts

Céus de Lisboa saúdam com nuvens cor violeta a chegada de Olhos da Justiça, thriller de Billy Ray, que desafiou os deuses dos pampas argentinas ao converter para Hollywood a trama de O Segredo de seus Olhos, Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010, sob a direção de Juan José Campanella. Por onde se respira cinema na capital lusa encontra-se um chamado para o filme, que apesar da violência com a qual anda sendo recebido, impressionou críticos da terrinha, em sua primeira projeção para a imprensa, por trazer o melhor desempenho de Julia Roberts em 16 anos, pois nada feito por ela desde Erin Brokovich (1999) ostentava tamanho vigor. Sua estreia aqui no Brasil: 10 de dezembro, por acaso, o mesmo dia de O Clã, longa nº1 da Argentina neste ano, com direção (premiada no Festival de Veneza) de Pablo Trapero.
No original, um homem perdia a mulher amada enquanto o investigador judicial encarnado por Ricardo Darín passava mais de uma década tentando entender o que poder-se-ia fazer com o assassino e desvendar seu paradeiro. Aqui, Julia é o alvo da violência: sua filha é assassinada e seus colegas Nicole Kidman e Chiwetel Ejiofor (este sublime) vão passar 13 anos nas franjas do caso. Houve uma projeção em Portugal na qual o P de Pop entrou. A questão: esse tipo de remake é metralhado de véspera, por ser considerado descartável, desnecessário. Foi assim com Psicose (1999), de Gus Van Sant, e com Old Boy (2014), de Spike Lee. Mas não se deixe intimidar pelo preconceito. Ver a linda mulher brincar de boa atriz outra vez é um alento.

Bill Murray visita o Afeganistão na supercomédia de Barry Levinson

Bill Murray visita o Afeganistão na supercomédia de Barry Levinson: fracasso nos EUA por ecos políticos

No mais: Lisboa deu de presente a este blog um espaço em circuito para uma das comédias mais corajosas (e perigosas, neste atual contexto de terror pós-Paris) do ano: Rock the Kasbah, de Barry Levinson, cineasta que hoje Hollywood esnoba, mas quem em 1989 ganhou o Oscar de melhor diretor e o Urso de Ouro de Berlim com Rain Man. Aqui, ele põe um deus do riso, Bill Murray (em sua excelência máxima) na pele de um produtor musical fracassado que acaba no Afeganistão para organizar um show para militares e lá, nas cavernas, descobre uma jovem local com gogó de ouro, Salima (Leem Lubany), a quem vai arrastar para o The Voice, a despeito da repressão do Islã e da ira do pai da moça. É um assunto eticamente cálido, mas tratado com respeito, sendo a ironia concentrada no militarismo. E os encontros do personagem de Murray com a garota de programa de luxo vivida por Kate Hudson são memoráveis. Chega aqui dia 3, com o ponto negativo de ter naufragado nos EUA: custou US$ 15 milhões e lá, mal chegou a US$ 3 milhões na arrecadação. Mas não se fie nos números. Fie-se em Murray, que volta no fim do ano com o especial NetFlix de Natal com direção de Sofia Coppola: A Very Murray Christmas, prometido para o dia 4 de dezembro. É presente cinéfilo de Papai Noel.

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