Língua portuguesa pode dominar o Festival de Locarno

Língua portuguesa pode dominar o Festival de Locarno

Rodrigo Fonseca

26 Junho 2018 | 18h37

“As filhas do fogo”, de Pedro Costa, traz a personagem Vitalina Varela, já vista nos filmes do mítico diretor de “Cavalo Dinheiro”

Rodrigo Fonseca
Há um lugar de honra para o cinema de língua portuguesa nas especulações da imprensa europeia acerca do Festival de Locarno de 2018 (1 a 11 de agosto), com destaque para apostas em “Sedução da carne”, do carioca Julio Bressane, “As filhas do fogo” (antes batizado de “Vitalina Varela”, do lisboeta Pedro Costa, e “O termómetro de Galileu”, de Teresa Villaverde, também de Lisboa. Fala-se muito também em “Thursday Night”, de Gonçalo Almeida, também de Portugal, e há quem cogite a passagem de “Piedade”, de Claudio Assis, por lá, embora não se saiba se o filme está pronto ou não.
Estima-se que até o fim desta semana sejam anunciadas as atrações principais da 71ª edição do evento suíço que anda crescendo em popularidade e prestígio, cada ano mais, aos olhos da indústria por se abster de conflitos políticos e flertar com filmes de autor mais refinados. A escolha do ator texano Ethan Hawke para ganhar um prêmio pelo conjunto de sua carreira já é um indício do quanto Locarno quer os holofotes de Hollywood. Não por acaso, sua curadoria garantiu uma sessão de gala do drama musical “Blaze”, dirigido por Hawke, e já premiado em Sundance, em janeiro, para a homenagem ao astro. E, de quebra, o evento vai, pela primeira vez, criar uma linha de séries para a TV, com uma seção dedicada a pilotos de temporadas de projeto televisivos serializados. A abertura desta seção será com “Coincoin et les z’inhumains”, do francês Bruno Dumont (realizador dos cults “A humanidade” e “Flandres”). Considerado um dos diretores mais respeitados da Europa hoje, Dumont vai receber o Leopardo de Ouro pelo conjunto de sua obra.

Mariana Lima estrela “Sedução da Carne”, inédito de Julio Bressane

Estima-se que a competição de Locarno este ano trata inéditos do espanhol Carlos Saura (“El rey de todo el mundo”), da francesa Claire Denis (“High life”), da palestina Annemarie Jacir (“Sandfish”),  dos canadenses Denis Côté (“May we sleep soundly”) e Denys Arcand (“The fall of the american empire”) e do chinês Wang Bing (“Jeunesse de Shanghai”). O filme de Bressane – que traz  Mariana Lima na pele de uma mulher assombrada por carne crua – deve concorrer por lá, onde ele tem um prestígio singular. O cineasta ainda tem uma versão inédita de “Dom Casmurro”, com Fernando Eiras, que pode estrear lá na Suíça – há quem diga que este não está pronto, mas…
Foi de Locarno que saiu um dos filmes brasileiros mais badalados da atualidade: o terror “As boas maneiras”, de Juliana Rojas e Marco Dutra.