‘Limpar Histórico’: a comédia das redes sociais

‘Limpar Histórico’: a comédia das redes sociais

Rodrigo Fonseca

27 de maio de 2020 | 12h19

Rodrigo Fonseca # #FiqueEmCasa
Maior (e melhor) aposta da comédia francesa na busca por potenciais fenômenos de bilheteria em 2020, “Effacer L’Historique” (“Limpar Histórico”), um hilariante mapeamento das relações nas redes sociais, foi realocado no calendário europeu de agosto para 23 de dezembro. O motivo? Estima-se que a temporada de prêmios de fim/início de ano… chamada Oscar Season e, atualmente, em xeque, por conta dos refluxos da pandemia, possa reservar algumas láureas para o longa-metragem de Benoît Delépine e Gustave Kervern. O Festival de Berlim reservou para ele o troféu especial do 70º aniversário do evento, surpreendendo expectativas, uma vez que tramas cômicas raras vezes são premiadas. Mas há algo de mais refinado aqui. É uma provocativa chanchada sobre a submissão nada erótica nossa às redes sociais e à tecnologia digital. Um dos melhores enredos envolvem Marie (a ótima Blanche Gardin), mãe solteira que é chantageada por um rapagão (Vincent Lacoste) que tirou vários nudes dela durante uma transa. Garantia de risadas, o belga Benoît Poelvoorde bota o filme no bolso em uma breve participação como um Über Eats cardiopata.

“Nossos filmes têm uma dimensão de denúncia, mas também têm mel, têm afeto… e, aqui, o nosso olhar se volta sobre a privacidade de pessoas que se deixaram dragar pelos celulares”, disse Kervern ao P de Pop na Berlinale, comemorando a vitória do cinema comercial da França, com um hilário painel de situações, incluindo uma motorista de aplicativos que é dependente de séries de TV. “Como Benoît e eu andamos muito de metrô, todos os dias, a gente tem tempo de observar as vidas alheias”.
Falando de cinema francês e de expectativas a realizadora franco-argelina Yamina Benguigui, pilar do documentário na Europa contemporânea, vai adentrar o terreno da ficção este ano com “Soeur“. Espera-se uma atuação devastadora de Isabelle Adjani nessa história sobre três irmãs com família na Argélia que se reencontram, após um longo hiato para um acerto de contas.

p.s.: Mais bem-sucedido produtor brasileiro da atualidade, Rodrigo Teixeira, da RT Features, bate um papo com o diretor cearense Karim Aïnouz, sobre a parceria de ambos em “Abismo Prateado” (2011) e “A Vida Invisível”, ganhador do prêmio Un Certain Regard de Cannes.

p.s. 2: Às 19h30, em sua conta no Instagram, o humorista Nizo Neto, voz brasileira de Matthew Brodderick em “Curtindo a Vida Adoidado” (1986), conversa com um ás da dublagem: Márcio Seixas. Além de dublar Client Eastwood e Morgan Freeman, Seixas emprestou seu vozeirão à série de desenhos animados do Batman, nos anos 1990.

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