Leão de Ouro para o cinema de gênero, que assombra nas bilheterias com ‘It’

Leão de Ouro para o cinema de gênero, que assombra nas bilheterias com ‘It’

Rodrigo Fonseca

10 de setembro de 2017 | 13h59

Sally Hawkins flerta com um amor do fundo do mar em “The Shape of Water”: Leão de Ouro em Veneza

Rodrigo Fonseca
É ano de horror, de assombração, de fantasia soturna no cinema, neste tempo de crise financeira e simbólica pelo mundo: o Festival de Veneza premia com seu Leão de Ouro uma fábula sobre monstro (The Shape of Water), a maior bilheteria do momento tem um palhaço devorador de gente como chamariz (o fenomenal It: A Coisa, de Andy Muschietti) e o único longa brasileiro a alcançar as cabeças no Festival de Toronto (Motorrad) lida com forças do Além. O Brasil ganhou um Grande Prêmio do Júri no sisudo Festival de Locarno por um filme de lobisomem (As Boas Maneiras). O melhor romance hoje nas nossas livrarias é um horror: Neve Negra, de Santiago Nazarian. As bruxas estão à solta em um momento no qual se esperava a onipotência do riso: em geral, em dias de falência econômica, quem sai na dianteira é a comédia, mas estamos num registro bem distinto. E o novo (e robusto) Amityville: O Despertar, que está chegando ao Brasil, com Jennifer Jason Leigh presa a um encosto, vem para confirmar essa euforia do sobrenatural.

Michael Shannon no filme de Del Toro: Oscar de coadjuvante à vista

Sensação máxima de Veneza, previsto para chegar aqui em janeiro, The Shape of Water pôs o mexicano Guillermo Del Toro, grande artífice contemporâneo das narrativas fabulares (posto outrora pertencente a Tim Burton), em um novo e mais respeitado patamar: autor ele já era, desde A Espinha do Diabo (2001), mas agora, com o Leão dourado, virou autor premiado. Seu novo longa-metragem recria a Guerra Fria a partir de um laboratório ultraconfidencial no qual uma funcionária muda (Sally Hawkins) se encanta por uma criatura marinha, similar a um tritão. Há quem já fale em Oscar, sobretudo para o desempenho de Michael Shannon como coadjuvante, na pele de um operativo cruel. Há quem diga, contudo, que o Oscar dessa categoria, em 2018, vai para Harrison Ford pelo novo Blade Runner. Mas tudo são especulações…

“It: A Coisa”: US$ 179 milhões na bilheteria em sua arrancada

Certeza há uma só: as maiores premiações do cinema estão se rendendo a filmes de gênero e todos ligados ao oculto, ao horror. O grande filme pipoca de Cannes este ano foi Blade of the Immortal, do japonês Takashi Miike, ópera samurai sobre imortais. E Berlim foi o lar de Logan, um super-herói funesto. Mas de lá pra cá, o terror só fez se radicalizar, começando pelo cult em torno do obrigatório Corra!, de Jordan Peele. E só se fala agora na adesão popular a It: A Coisa, que custou US$ 35 milhões e já faturou US$ 179 milhões narrando a luta de um time de crianças contra um ser em forma de clown que se alimenta do pavor alheio.

 

 

 

 

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