Lázaro Ramos abre o BRLab na segunda

Lázaro Ramos abre o BRLab na segunda

Rodrigo Fonseca

02 de outubro de 2021 | 10h27

Lázaro Ramos protagoniza “O Silêncio da Chuva”, de Daniel Filho

RODRIGO FONSECA
Em cartaz nas telas à frente de um dos filmes nacionais mais elogiados desta temporada, o policial “O Silêncio da Chuva”, Lázaro Ramos vai abrir a programação da 11ª. edição do BRLab (fórum de reflexão sobre linguagens audiovisuais), nesta segunda-feira, às 19hs em um debate sobre seu primeiro longa-metragem como diretor: “Medida Provisória”. O ator (agora também cineasta) conversará com o roteirista Elísio Lopes Jr. e a distribuidora e cineasta Anna Andrade para compartilhar detalhes do processo de desenvolvimento do roteiro até o desenho de audiências e estratégias de campanha de distribuição do projeto. Será uma live chamada “Do Roteiro ao Lançamento: Narrativa e Audiência”.
Exibido este ano no South By Southwest (SXSW), em Austin, no Texas, “Medida Provisória” foi aclamado em sua passagem pelo Festival de Moscou, em 2020. Lançado no exterior com o título gringo “Executive Order”, o longa conquistou o prêmio de melhor roteiro no Indie Memphis Festival. Lusa Silvestre, Elisio Lopes Jr. e Aldri Anunciação roteirizaram o projeto, rodado em 2019.

Essa distopia em tons alarmistas do astro de “O Homem Que Copiava” (2003) tem como inspiração livre a peça “Namíbia, não”, do próprio Aldri. Lázaro dirigiu esse texto teatral nos palcos, em 2011, no Rio. Em maio de 2019, o P de Pop foi ao set de filmagens, na Praça da Harmonia, no bairro da Gamboa, no RJ, tendo ainda acompanhado duas leituras de roteiro com Lazinho. Lá no set, há um ano e nove meses, Taís Araújo, Seu Jorge e o anglo-brasileiro Alfred Enoch, o Dean Thomas da franquia “Harry Potter”, estrelaram a sequência que acompanhamos, numa descida de ladeira. Taís vive a médica Capitu, que testemunha um rebuliço no país, causado por uma decisão do governo que pode expatriar os negros residentes no Brasil. Enoch é o namorado dela, Antonio, um advogado aguerrido em suas causas, que tem um primo jornalista – papel de Seu Jorge. O elenco ainda traz duas titãs da TV: Adriana Esteves e Renata Sorrah. “A coisa mais bacana de dirigir é saber tomar decisões de modo a ajudar o coletivo. A gente pensa no todo e não no que é melhor só pra gente. Tomei aula de técnica cinematográfica antes de embarcar nessa e me arriscar como cineasta, estudando lente, eixo, enquadramento… Só que o fator essencial num set é saber transmitir os afetos que eu tenho a partir dos personagens que estou ajudando meu elenco a criar”, disse Lázaro ao Estadão na filmagem, sempre ao lado do fotógrafo Adrian Teijido (de “Elis” e “O palhaço”). “Eu preciso contar algo que vem de dentro, que corresponde aos meus sentimentos de mundo”.
Na tropa de choque do que define como uma história de amor em um Brasil distópico, Lázaro conta ainda com (a já citada) Mariana Xavier, Pablo Sanábio, Dan Ferreira, Flavio Bauraqui, Pedro Nercessian, Hilton Cobra e “muitas outras atrizes e atores bacanas, capazes de trabalhar de forma harmônica”. Com dois astros talhados pelo cinema de língua inglesa nas mãos, como Seu Jorge e Enoch (o Wes Gibbins de “How to get away with murder?”), Lázaro mergulhou em modos de atuar bem distintos. “É uma esgrima de talentos”, disse o astro de “Madame Satã” (2002), que construiu uma das sólidas carreiras entre os talentos revelados pela Retomada do cinema nacional, na década passada.
A live de “Medida Provisóra” rola no YouTube do BrLab: www.youtube.com/brlab. É preciso se inscrever no www.brlab.com.br para participar.

p.s.: Esqueceram de avisar pro Cary Joji Fukunaga que existe uma franquia chamada “John Wick”, que está a léguas de excelência das sequências de ação sem TNT que ele dirigiu em “Sem Tempo Para Morrer”. Apesar do final devastador, de um debate essencial sobre tendências e obsolescências e de um Jeffrey Wright em estado de graça, a nova missão do agente secreto tem uma mirada jurássica para as valências da adrenalina. Ana de Armas põe parte do filme no bolso e Lashana Lynch tem uma imponente atuação. Mas o vilão…

p.s.2: O elogiado espetáculo “Era Medeia” faz temporada virtual gratuita, de 04 a 18 de outubro, no canal do Youtube da Firjan SESI. Com supervisão de Cesar Augusto e texto e direção de Eduardo Hoffmann, a peça faz uma reflexão sobre machismo, abuso de poder e exposição da vida privada. Em cena, estão os atores Eduardo Hoffmann e Isabelle Nassar, que vivem Pedro Lobo, um diretor excêntrico, e Verônica Albuquerque, uma atriz insegura. A partir da exposição da vida íntima do ex-casal, “Era Medeia” também faz uma reflexão sobre os motivos de o público de hoje parecer se interessar mais pelos bastidores da criação do que pela própria criação. “O fato de estarmos vivendo uma realidade social e política extremamente espetacularizada contribui para que o caráter ficcional da arte esteja cada vez mais com sua potência diminuída. E já faz bastante tempo que os reality shows tornaram as pessoas personagens mais interessantes aos olhos do público do que os personagens criados nas obras de ficção. É uma extrema necessidade de ser arrebatado pelo REAL, até porque o cotidiano atual está extremamente teatralizado”, analisa Hoffmann.

p.s.3: Às 15h15 desta tarde tem “E.T. – O Extraterrestre” (1982), fenômeno de Steven Spielberg, na “Sessão de Sábado” da Globo.

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