‘Language Lessons’, o 1º achado da Berlinale

‘Language Lessons’, o 1º achado da Berlinale

Rodrigo Fonseca

01 de março de 2021 | 14h16

Natalie Morales e Mark Duplass em “Language Lessons”

RODRIGO FONSECA
Inaugurada esta manhã com a projeção de “Inteurodeoksyeon” (“Introduction”), (mais um) rizoma de Hong Sangsoo, escrito, dirigido, fotografado, montado e musicado pelo artesão da Coreia do Sul, a disputa pelo Urso de Ouro de Berlim de 2021 promete joias como “Next Door”, do alemão Daniel Brühl, e “Petite Maman”, de Céline Sciamma. Porém o que se viu de mais vívido neste primeiro dia da Berlinale 71. veio da seara hors-concours: a estreia da atriz Natalie Morales na direção de longas: “Language Lessons”. Aos 36 anos, a Michelle Gutierrez da série “Disque Amiga Para Matar” escreve, dirige e protagoniza uma comédia romântica repleta de dor, onde o romantismo é mais de “bromance” do que de paixões carnais, falando de uma amizade que nasce ardorosa. Tudo é contado em telas de Zoom (ou aplicativos similares). Já na primeira cena, a professora de Espanhol Cariño (Natalie) é informada pelo homem que pagou por um intensivão de línguas de que o aluno será seu marido, Adam, interpretado por um inesperado Mark Duplass (de “Tully”). Adam toma um choque com a ideia de seu amado e resolve aprender “sin desculpas”. Mas, já na segunda aula, ele está viúvo, pois seu amor morreu em um acidente. Cariño propõe de ele desistir do curso, mas ele prefere continuar. De aula em aula, os dois vão criando afeições, desafiando convenções éticas, formando um laço. A edição afinada da montadora Aleshka Ferrero evita que o visual se pasteurize e faz com tudo se descortine mesmo com a contenção visual do formato “meeting” de aplicativos de conversa online. O resultado é um comovente estudo de como duas solidões que se aguardam podem se aproximar.

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