Lady Gaga renasce estelar na ‘Tela Quente’

Lady Gaga renasce estelar na ‘Tela Quente’

Rodrigo Fonseca

20 de novembro de 2020 | 11h59

Lady Gaga e Bradley Cooper estrelam este fenômeno de bilheteria de 2018: “A Star Is Born”

Rodrigo Fonseca
Fim de ano é sempre tempo de ascese para a “Tela Quente”: semana passada, a mais popular sessão de cinema da TV aberta no país exibiu “O Mandaloriano”; agora, é a vez de “Nasce Uma Estrela”. Coube a esse filmaço o Oscar de melhor canção, dado a “Shallow”. A exibição vai ser na segunda que vem, dia 23, às 22h50, (muito bem) dublada. Na versão brasileira, Bradley Cooper recebe o gogó de Duda Espinoza e Lady Gaga conta com a voz aveludada de Carol Crespo. Em magistral atuação no longa-metragem, Sam Elliott ganha os acordes da garganta de um gênio: Luiz Carlos Persy. Nesse mesmo dia, a “Sessão da Tarde” projeta “Como Se Fosse a Primeira Vez” (2004), com Drew Barrymore e Adam Sandler, para assegurar o fluxo do mel.

Mais infos sobre a imperdível atração desta “Tela Quente”:
Assim que a política dos autores imprimiu seu status de lei nas páginas de capa amarela da “Cahiers du Cinéma”, Orson Welles foi um dos primeiros atores a aderir ao clube. Ok… ele foi um mito da direção, mas foi ator por toda a vida. Jerry Lewis e Clint Eastwood foram assimilados também sob as asas de uma crítica que fazia da autoralidade um lastro ouro. De lá pra cá, muita atriz e ator ensaiou dirigir, de Carla Camurati a Jodie Foster, de Fanny Ardant a Maria Ribeiro. De Kevin Costner a Bradley Charles Cooper, que fez “o” “filme de ator” de 2018: orçado em US$ 36 milhões, seu “A star is born” já tem em seu caixa US$ 436 milhões em ingressos vendidos.
Consagrado como astro há onze anos, quando “Se beber, não case” (2009) virou um fenômeno de bilheteria, Cooper passou perto de levar o Oscar para casa três vezes, por seu desempenho como ator e por seu trabalho como produtor: filmes como “O lado bom da vida” (2012), “Trapaça” (2013) e “Sniper americano” (2014). Aos 43 anos, ele deu seu passo profissional mais arriscado: dirigir Lady Gaga na releitura de uma trama nos moldes de “Pigmaleão” que ganhou múltiplas refilmagens e consagrou grandes estrelas.
Sua sorte foi lançada no Festival de Veneza, onde sua esperadíssima love story com acordes musicais virou um acontecimento. Lá no Lido, a desenvoltura dele como cineasta pôs muitos concorrentes ao Leão de Ouro no chinelo. No “The New York Times”, a resenha da crítica Manohla Dargis crava a palavra “belo” para definir o filme e frisa que “Bradley tem muitos acertos na direção, a começar pela escola do elenco, com uma atuação naturalista, desarmada de Lady gaga”. Ensaio sobre o fardo por vezes trágico da fama, “Nasce uma estrela” não vem sendo vendido como remake. Temos aqui um drama romântico sobre um cantor autodestrutivo (o próprio Bradley, numa atuação memorável) que ajuda uma aspirante a cantora a explodir no mercado fonográfico. Mas essa é uma premissa levada às telas pela primeira vez em 1937. Janet Gaynor estrelou o original, que, de tanto sucesso, inspirou mais duas refilmagens: uma de 1954, com Judy Garland, e outra de 1976, com Barbra Streisand. E no novo longa, Lady Gaga está à altura delas.

Cantando ao lado de Lady Gaga, a plenos pulmões, Cooper investe ao máximo no realismo ao filmar os shows de seu personagem, Jackson Maine, e as apresentações da cantora vivida por Lady Gaga, Ally. A fotografia de Matthew Libatique potencializa a potência trágica da paixão entre os dois. O destaque vem do monstro sagrado Sam Elliott (da série “The ranch”), que rouba a cena, com sua voz gutural, no papel do irmão mais velho de Bradley.

p.s.: Terminam na terça-feira as inscrições para o projeto gratuito “Brasis por Escrever”, criado pelos autores e diretores cariocas Cecilia Ripoll e Diogo Liberano na busca por encontros e trocas com autores de outras partes do Brasil. As pessoas nascidas na região Norte e residentes no Amapá terão prazo prorrogado até o dia 1º de dezembro. O projeto reunirá os orientadores com seis participantes para encontros semanais durante seis meses, nos quais serão realizados estudos e criações de novas dramaturgias. A ideia partiu das perguntas: “Como um texto teatral pode se relacionar com a história recente do Brasil?” “Como uma dramaturgia pode responder aos acontecimentos públicos da vida social em cidades brasileiras?” Serão selecionadas: uma pessoa nascida e residente na região Centro-Oeste do Brasil; duas na região Nordeste; duas na região Norte; e uma nascida-residente na região Sul. O projeto não oferecerá vagas para pessoas nascidas e residentes na Região Sudeste do Brasil, tendo em vista ser a região de origem dos criadores do projeto. O regulamento completo e a ficha de inscrição estão disponíveis em www.p-l-a-t-o.com e os selecionados serão divulgados no dia 9 de dezembro.

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