La Binoche, do Urso ao Leão de Ouro

La Binoche, do Urso ao Leão de Ouro

Rodrigo Fonseca

28 de agosto de 2019 | 13h05

“La Vérité”: uma DR em família na briga pelos prêmios de Veneza

Rodrigo Fonseca
É bom se cuidar, Leão de Ouro, porque Juliette Binoche está à sua espreita: nesta quarta-feira, em meio aos comemorativos da abertura do 76º Festival de Veneza, a atriz francesa engoliu o Lido em sua passagem pela cidade com “La Vérité”. Também batizado de “The truth”, em sua tradução para o inglês, o novo filme do artesão autoral japonês Hirokazu Koreeda (por aqui é Kore-eda) traz La Binoche como a filha de uma diva do cinema, de temperamento turbulento, vivido por Catherine Deneuve, que se vê às voltas com uma DR familiar. Há muitos segredos envolvendo sua mãe, no longa.
“Cresci tendo ‘Pele de Asno’, no qual ela atua, como um dos filmes da minha infância, então vocês podem imaginar o quão é importante para mim estar com Catherine em cena. E tento há anos trabalhar com Koreeda”, disse Juliette na coletiva de imprensa do filme, que abriu a briga por prêmios na terra das gôndolas neste ano em que a oscarizada atriz parisiense presidiu a competição pelo Urso de Ouro da Berlinale.
Em terras alemãs, “Sinônimos”, de Nadav Lapid, foi o seu escolhido para levar para casa (em Israel) o ursinho dourado germânico. Agora, em Veneza, ela pode ser laureada como melhor atriz. Mas antes da chegada de “La Vérité” ao Brasil, ela volta às nossas telas num ensaio sobre alienação e violência no Facebook e outras mídias de relacionamento. Trata-se de “Quem você pensa que eu sou” (“Celle que vous croyez”), que aporta por aqui no dia 12 de setembro. A direção é de Safy Nebbou. Na capital da Alemanha, Juliette teve um corpo a corpo com a imprensa estrangeira para debater os riscos da intolerância nas redes sociais ao defender o longa-metragem de Safy, que passou por lá fora da briga por troféus. Sua protagonista é Claire, uma professora de 50 anos vivida por La Binoche. Ela assume um perfil falso no Face para travar relação com um rapaz mais jovem, que é assistente de seu namorado. Mas essan identidade fake acaba levando a vida de Claire para uma situação de risco afetivo.
“Esse roteiro me trouxe uma vertigem emocional muito forte pela maneira como fala do exercício do desejo hoje”, disse Juliette, ao P de Pop durante a Berlinale. “Qualquer gesto de humanismo hoje é um gesto político. Se a nossa decisão por política, será pelas vias da humanidade”.

Cena de “Quem você pensa que eu sou”

No longa de Nebbou, sua personagem, Claire, passa por uma reeducação sentimental a partir dos códigos da cultura midiática da internet. “Há algo na minha forma de atuar que enxergo como um momento de excitação máxima: o silêncio. Estar em silêncio em cena é onde eu me conecto com as sensações da história que preciso ajudar a contar”, diz Juliette, laureada com o Oscar, em 1997, por “O paciente inglês”.
Nesta quinta, Veneza confere uma produção de Rodrigo Teixeira e sua RT Features com Brad Pitt no papel central: “Ad Astra”. Também na quinta, o festival italiano vai entregar o Leão de Ouro Honorário de 2019 a Pedro Almodóvar. O cultuado diretor espanhol vai ser laureado pelo conjunto de sua carreira. Seu filme mais recente, “Dor e glória”, acaba de ser convidado para integrar a seleção do Festival de San Sebastián, que vai de 20 a 28 de setembro nas telas da Espanha.

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