Kusturica faz um MIMO nos ouvidos da Marina da Glória

Kusturica faz um MIMO nos ouvidos da Marina da Glória

Rodrigo Fonseca

09 de novembro de 2017 | 10h51

“Na Via Láctea”: sexta, 20h30 no Odeon

Rodrigo Fonseca
Mais popular festival de sonoridades e cinema do país, o MIMO, dádiva da dupla Lu Araújo e Rejane Zilles, traz o menu de sua edição de 2017 para o Rio de Janeiro nesta sexta, tendo a Marina da Glória como sede dos shows e o Odeon como centro nervoso de sua seleta de filmes, na qual o metafísico Na Via Láctea (On The Milky Road) é a gema mais preciosa. Passa na sexta, 20h30. Na direção está o sérvio Emir Kusturica, que, neste sábado, à 0h, ele faz um show, com sua banda, The No Smoking Orchestra, em solo carioca. No dia 18, o conjunto vai para Olinda, para tocar na Praça do Carmo, antenado com a fase pernambucana do MIMO. Se você não conhece Kusturica: trata-se de um dos poucos cineastas deste planeta a ter conquistado duas Palmas de Ouro no Festival de Cannes, uma por Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios (1985) e outra pelo genial Undreground – Mentiras de Guerra (1995).

São dele sucessos do cinema europeu como o etnográfico Gato Preto, Gato Branco (1998) e o documentário Maradona (2008), sobre o craque argentino. “Gosto de quem age como rockstar, avesso às normas, e filmo sob a inspiração do legado autoral de diretores como os mestres do cinema americano da década de 1970, época na qual a inquietação era um chamariz de plateias”, disse o cineasta em uma entrevista ao P de Pop em 2014, lembrando que porcos, galinhas, cães e jumentos têm, em seus filmes, tanto valor quanto seres humanos. “O cinema ainda é a única atividade em que o corpo e a mente conseguem viajar juntos, ao mesmo tempo, para outras dimensões e escapar da realidade e seus horrores. Pena que o cinema venha, cada vez mais, abrindo mão de metáforas em nome de um realismo mais direto, sem fantasia”.

Entre as demais opções de cinema do MIMO, vale destacar Torquato Neto – Todas as Horas do Fim, de Eduardo Ades e Marcus Fernando, que terá sessão no sábado, 18h. Neste domingo, a boa é Fevereiros, de Marcio Debellian.  

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.