King Kong volta a ser GG nas telas do Marrocos

King Kong volta a ser GG nas telas do Marrocos

Rodrigo Fonseca

27 de novembro de 2019 | 11h06

RODRIGO FONSECA
Laureado com três Oscars (de melhor mixagem, melhor edição de som e efeitos especiais) e coroado com uma bilheteria de US$ 550 milhões, “King Kong” (2005), uma controversa revisão do clássico dirigido por Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack em 1933, vai ganhar uma sobrevida na tela, neste fim de semana, com uma projeção de gala na abertura do 18º Festival de Marrakech. O longa-metragem oficial de abre-alas da maratona cinéfila marroquina de 2019 – agendada de 29 de novembro a 7 de dezembro – vai ser o balado thriller “Entre facas e segredos”, de Rian Johnson, com Daniel Craig, porém, a aventura sobre o gorila tamanho GG vai ser exibido em paralelo à cerimônia de largada. Peter Jackson, seu realizador, fica na Nova Zelândia, mas Naomi Watts, a protagonista ao lado do símio gigante, vai prestigiar o evento e falar sobre sua consagrada trajetória. Visto à luz do distanciamento histórico, o belo longa de Jackson ainda se apresenta como um um “Casablanca” zoófilo, num triângulo amoroso, com um Humphrey Bogart peludo, uma Ingrid Bergman indecisa e um Paul Henreid engajado. É mais “As viagens de Gulliver” do que “Jurassic Park”. É mais Jonathan Swift do que Cecil B. De Mille. Em sua trama, uma atriz desempregada e morta de fome, Ann Darrow (Naomi), embarca na loucura de um cineasta (Jack Black) que aposta na estética do bestiário para faturar os US$s dos estúdios. Ao saber de uma ilha nos confins do mundo onde vivem seres pantagruélicos, ele arrasta Ann e uma trupe de técnicos para um território que o mundo esqueceu, onde existe um macaco gigantesco, encarado por todos – menos pelos dinossauros que lá residem – como o rei do local. A fera há de se apaixonar pela bela, mas, afim de de tê-la em seu aconchego, ela vai ter de sair no braço com uma série de lagartos famintos e encarar os percalços morais da predatória civilização.

Vitaminado pelo sucesso da edição de 2018, quando homenageou Robert De Niro e Agnès Varda (1928-2019), Marrakech hoje se candidata ao posto de principal festival de cinema da África – e um dos maiores do mundo. Em seu cardápio de número 18, a seleção competitiva de longas-metragens terá a atriz Tilda Swinton como presidenta de seus jurados. Seu júri contará com o diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho (do obrigatório “Bacurau”) e com as diretoras Rebecca Zlotowski (francesa) e Andrea Arnold (inglesa); a atriz franco-italiana Chiara Mastroianni; o ator sueco Mikael Persbrandt; o escritor e diretor afegão Atiq Rahimi; o realizador australiano David Michôd; e o cineasta marroquino Ali Essafi. Em competição estão: “Dente de leite” (“Babyteeth”, Austrália), de Shannon Murphy; “Bombay Rose” (Índia), de Gitanjali Rao; “A febre” (Brasil), de Maya Da-Rin; “Last visit” (Arábia Saudita), de Abdulmohsen Aldhabaan; “Lynn + Lucy” (Reino Unido), de Fyzal Boulifa; “Mamonga” (Sérvia, Bósnia Herzegovina, Montenegro), de Stefan Malesevic; “Mickey and the Bear” (EUA), de Annabelle Attanasio; “Mosaic Portrait” (China), de Zhai Yixiang; “Nafi’s father” (Senegal), de Mamadou Dia; “Scattered night” (Coreia do Sul), de Lee Joh-young; “Sole” (Itália, Polônia), de Carlo Sironi); “Tlamess” (Tunísia), de Ala Eddine Slim; “The unknown saint” (Marrocos), de Alaa Eddine Aljem; e “Tantas almas” (Colômbia, Brasil), de Nicolás Rincón Gille.
Estrelas como Marion Cotillard, Golshifteh Farahani e Harvey Keitel vão passar pelo evento, que tem na celebração da memória de Robert Redford seu principal chamariz: o ator e diretor de 83 anos vai ganhar uma homenagem por sua trajetória artística. O diretor francês Bertrand Tavernier (“Round Midnight”) vai ser homenageado também. Uma das principais atrações vai ser a exibição da animação chinesa “Nº 7 Cherry Lane”, que deu ao cineasta Yonfan o prêmio de melhor roteiro em Veneza. O longa constrói um panorama da China da Revolução Cultural a partir de uma história de amor.
p.s.: Boas novas para a Casa Roberto Marinho, um bunker de resistências das artes visuais no RJ: vem exposição de peso por aí… Com abertura confirmada para o próximo dia 5 de dezembro, a coletiva “Duplo Olhar” propõe um diálogo entre a pintura e a fotografia modernas brasileiras, explorando as possibilidades visuais deste encontro e a unidade poética que dele resulta. Com curadoria de Marcia Mello e Paulo Venancio Filho, a mostra apresentará obras de Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Pancetti, Portinari e Lasar Segall, entre outros. Na seleção de fotógrafos, destaque para Geraldo de Barros, Marcel Gautherot, Pierre Verger, Marc Ferrez e Miguel Rio Branco.

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