Karatê Kid do Nordeste na ‘Sessão da Tarde’

Karatê Kid do Nordeste na ‘Sessão da Tarde’

Rodrigo Fonseca

09 de abril de 2020 | 10h35

Cada Daniel San tem o Sr. Miyagi que merece: em “O Shaolin do Sertão”, mestre Wilson (o cantor Falcão) treina Aluizio Li (Edmilson Filho)

RODRIGO FONSECA
Com um projeto novinho para estrear, focado nas artes plásticas (“Vemelho Monet”, rodado em Portugal), o diretor Halder Gomes, o Steven Spielberg de Fortaleza, vai ter uma “Sessão da Tarde” inteira só pra si, com a exibição de “O Shaolin do Sertão” (2016) nesta Quinta-feira da Paixão, às 15h. É bom que Jackie Chan, habitué da mais tradicional faixa vespertina de filmes da TV aberta, cuide bem de si, pois, dos confins do Ceará, um novo (e inusitado) ás das artes marciais está chegando para desafiar a hegemonia do chinês nas comédias de luta: Aluízio Li (Edmilson Filho). Na trama, com a assinatura de roteiro de L. G. Bayão, esse cinéfilo metido a Bruce Lee vai ter que virar herói. Cineasta responsável pelo fenômeno “Cine Holliúdy” (2013), que ganhou sequência e virou série, Halder traz o cantor Falcão, intérprete de versos como “I’m not dog no” para viver um sábio especializado em formar lutadores: Mestre Wilson. Ele é o Sr. Miyagi deste “Karatê Kid” sertanejo. Com humoristas como Marcos Veras e Dedé Santana em seu elenco, O Shaolin do Sertão acompanha a preparação de Aluízio Li para encarar valentões que infestam o Nordeste e conquistar de vez o coração de sua amada (Bruna Hamu). Para isso, os ensinamentos de Wilson serão fundamentais. O longa foi visto por cerca de 440 mil pagantes em cerca de um mês em cartaz, sendo 150 mil espectadores só em sua terra natal, o Ceará.
“O Ceará e meus colegas e amigos sempre me inspiram. Convivemos bastante, nossos cinemas se cruzam entre conversas, equipes, atores, pós produção, etc…Nos retroalimentamos da diversidade que é o nosso cinema. Creio que o tenho devolvido com o meu cinema, em mais especial, é a prova que é possível romper paradigmas se acreditar na nossa arte e artistas”, disse Halder ao P de Pop, quando filmava “Vermelho Monet”. “Cresci vendo o apogeu dos astros de ação das artes marciais dos anos 1980 e 90, como Cynthia Rothrock e Don The Deagon Wilson. O ‘Shaolin’ é uma homenagem a esses filmes de luta e sua importância para a construção de uma certa cinefilia”.

p.s.: Nesta quinta, a Lança Filmes vai promover a primeira live da animação “A Cidade dos Piratas”, desenho de verve documental de Otto Guerra. Questões de identidade de gênero, o cenário político atual e a própria narrativa do realizador gaúcho estarão na pauta. Estarão presentes a cartunista Laerte, cuja obra (sobretudo “Piratas do Tietê) é o foco da narrativa, e a jornalista e política Manuela d’Ávila. A transmissão vai acontecer neste 9 de abril, às 17h, e será publicado no Instagram da Lança Filmes e de Manuela d’Ávila.

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