Julia Murat celebra a vitória de ‘Las Herederas’ em Berlim

Julia Murat celebra a vitória de ‘Las Herederas’ em Berlim

Rodrigo Fonseca

24 de fevereiro de 2018 | 10h33

“Las Herederas”: prêmio Fipresci na Berlinale pra coprodução Paraguai, Brasil e Uruguai rodada em Asunción

Rodrigo Fonseca
Sexta-feira passada, no segundo dia da Berlinale 2018, um drama bem afinado com questões LGBTQ colocou o Paraguai (e junto dele o Brasil e o Uruguai) no foco das apostas para prêmios do festival alemão: Las Herederas, do diretor estreante Marcelo Martinessi. Há nove dias ele é encarado como um dos potenciais ganhadores do Urso de Ouro na festa de premiação daqui, a ser realizada esta noite, e a confiança em sua vitória foi aquecida após ele ter conquistado o Prêmio da Crítica, dado pela Fipresci, a Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica. O júri deste ano foi chefiado pelo brasileiro Mario Abbade, da ACCRJ, que se deslumbrou com a estética intimista desta história sobre recomeços coproduzida pela cineasta carioca Julia Murat. Há um ano, Julia saiu daqui laureada pela Fipresci com seu longa Pendular. Agora, ganhou de novo, e fala ao Estadão sobre o prazer de vencer duas vezes, desta vez com o périplo ficcional de Chela (Ana Brun) para refazer sua vida após a prisão de sua companheira. Essa consagração aqui lança holofotes sobre o lugar da cineasta no rol das grandes mulheres produtoras de nosso audiovisual.

“Conheci o Marcelo em 2006, no workshop de roteiro da fundação Carolina, em Madri. Foram dois meses intensos e de muita intimidade. Desde então acompanhei a trajetória dele com interesse”, conta Julia. “Em 2015, no encontramos em Torino e ele me contou dos Las Herederas. Eu me apaixonei pela história e pela capacidade do Marcelo de construir um universo íntimo de uma senhora, enquanto fazia uma crítica política a seu País. Marcelo é essa pessoa que consegue misturar mundos. Consegue ser diplomático e delicado, e ao mesmo tempo em que é obsessivo e exigente. Fazer um filme no Paraguai é tão difícil que precisamos mudar a lei do país junto aos senadores, para fazer com que aquela nação assinasse o acordo ibero-americano de coprodução”.

 

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