Johnny Depp, Jia Zhangke e Agnieszka fervem Berlim

Johnny Depp, Jia Zhangke e Agnieszka fervem Berlim

Rodrigo Fonseca

14 de janeiro de 2020 | 11h13

Rodrigo Fonseca
Vai ter Johnny Depp na Berlinale 70 (20 de fevereiro a 1º de março). O eterno Jack Sparrow vai passar pelo Festival de Berlim numa seção de longas-metragens fora da briga pelo Urso de Ouro com “Minamata”, de Andrew Levitas. Ele dá vida ao fotógrafo W. Eugene Smith (1918-1978), famoso pela natureza ensaística de seu trabalho, sobretudo na documentação de guerras. O filme aborda sua incursão ao Japão, onde ele registrou vítimas de envenenamento por mercúrio. A presença de Depp deve elevar a temperatura do Berlinale Palast, agora que a maratona cinéfila alemã ganha uma nova direção artística: saiu Dieter Kosslick; entraram Mariette Rissenbeek e Carlo Chatrian. Algumas mostras já revelaram parte de suas atrações e já se sabe que vai ter Brasil em dose tripla nessa Berlinale: Matias Mariani entra com “Cidade Pássaro” na Panorama; Caru Alves de Souza, com “Meu Nome é Bagdá” na Generation; e Ana Vaz, com “Apiyemiyekî” no Forum Expanded. Falando de nossa língua… Portugal conseguiu emplacar “Quantum Creole”, de Filipa César, no Forum Expanded.
Tão quente quanto a participação de Depp será a projeção de “Swimming Out Till The Sea Turns Blue”, documentário inédito do artesão autoral do real Jia Zhangke, que traz da China um olhar sobre um encontro literário em Shanxi. O título original é “Yi Zhi You Dao Hai Shui Bian Lan”. Vai ter ainda a exibição (fora de concurso) da série documental “Hillary”, de Nanette Burstein, e “Last and First Men”, .doc islandês de Jóhann Jóhannsson, narrado por Tilda Swinton.
Quem volta ao evento alemão, também em projeção hors-concours é a realizadora polonesa Agnieszka Holland (de “O jardim secreto”). Ela vem agora com “Charlatan”, um drama sobre os abusos da Guerra Fria. “Existe uma dimensão de impunidade nos governos totalitários do passado, assim como nos de agora, que precisa ser revelada e escancarada. Eu regi numa Europa que institucionalizou o silêncio como legado de um sonho. É hora de falarmos”, disse a cineasta ao P de Pop em Berlim, há um ano.
Estima-se que na quinta seja divulgada a primeira safra de filmes em competição da Berlinale 70, incluindo “Le sel des larmes”, novo trabalho de Philippe Garrel, centrado nas paixões de uma imigrante de origem africana no Velho Mundo. “Eté 84”, de François Ozon, também está cotado para o evento, assim como o novo trabalho da japonesa Naomi Kawase: “Asa ga Kuru”, sobre uma mulher às voltas com a adoção de um bebê. Aposta-se ainda na paulista Laís Bodaznky e seu “Pedro”, com Cauã Reymond de D. Pedro I; na inglesa Sally Potter, com “Molly, que traz Elle Fanning e Javier Bardem vivendo filha e pai em crise); no romeno Cristi Puiu, com “Malmkrog”; e no dinamarquês Thomas Vinterberg, de volta com “Druk”, no qual Mads Mikkelsen encarna um professor alcoólatra.
Saiu hoje a lista de curtas em concurso, que inclui uma representatividade sul-americana com o filme argentino “Playback. Ensayo de una despedida”, de Agustina Comedi.

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