Joe Pesci, o Corleone de ‘O irlandês’

Joe Pesci, o Corleone de ‘O irlandês’

Rodrigo Fonseca

15 de novembro de 2019 | 12h56

Rodrigo Fonseca
Pautado pela melancolia em uma narrativa que estuda o ônus da traição, entre indivíduos e entre os homens e a História, “O Irlandês” (“The Irishman”), poema feito para a Netflix, hoje em exibição em poucos cinemas do país, leva o espectador ao pranto em múltiplos momentos, em especial os momentos em que matamos as saudades de Joe Pesci. Aos 76 anos, o ganhador do Oscar de melhor ator coadjuvante de 1991 (por “Os bons companheiros”) ficou dez anos longe das telas, numa vida dedicada à música, cantando sazonalmente e curtindo o dinheiro que juntou ao longo de 40 anos de carreira. As franquias “Esqueceram de mim” (1990-1992) e “Máquina Mortífera” (1989-1998) garantiram sua aposentadoria das telonas. Mas, o convite de retomar a longeva parceria com Martin Scorsese, iniciada em “Touro Indomável” (1980), fez com que ele quisesse atuar de novo. Russell Bufalino, seu personagem, é um misto de patrão e de amigo do protagonista, o matador Frank Sheeran, vivido por Robert De Niro. Ele conduz o assassino a mudar o destino das lutas sindicais dos EUA, ao se tornar anjo da guarda e, depois, verdugo, do líder sindical Jimmy Hoffa (Al Pacino, monumental). Em seu falar pesaroso, ciente de sua infertilidade e do engulho que causa em crianças, Bufalino é um observador, alguém que vê o mundo se atomizar, mas que constrói bunkers para proteger seus interesses e o do “andar de cima”, ou seja, a instância dos homens mais poderosos do que ele. É uma atuação delicada, mas amendoada por uma sensação de finitude. Atuação para arrebatar prêmios e para se eternizar em nossas memórias.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: