‘Jesus Rolls’: o ‘Jules et Jim’ de John Turturro

‘Jesus Rolls’: o ‘Jules et Jim’ de John Turturro

Rodrigo Fonseca

06 de fevereiro de 2020 | 09h31

Rodrigo Fonseca
Visto pelo P de Pop em terras italianas, por onde flanou em outubro, na sequência do Festival de Roma, ao som dos Gipsy Kings, “The Jesus Rolls”, um derivado de “O Grande Lebowski (1998), que retoma a picaresca figura do jogador de boliche Jesus Quintana, vai começar a circular pelas Américas a partir de 28 de fevereiro, quando estreia nos EUA, a terra natal de seu astro e diretor: John Turturro. A partir do romance “Les valseuses”, escrito por Bertrand Blier e filmado por ele em 1974 (“Corações Loucos”, uma joia cinéfila de inestimável valor), Turturro criou o roteiro desta divertida e malcomportada comédia sobre a reintegração (ou quase) de Quintana, depois de anos no xilindró. O criminoso, famoso por delitos sexuais, sai da cadeia e encontra alegria no entusiasmo do amigo meliante Petey (Bobby Cannavale) e de uma cabelereira francesa frígida, Marie, papel que Audrey Tautou desempenha com um brilho que dá gosto de ver. É um “Jules et Jim” nova-iorquino, que reforça a manha de Turturro pra dirigir seis anos depois do sucesso “Amante a domicílio”, a grande sensação do Festival do Rio 2013, que virou um fenômeno de público no Brasil. Neste momento, ele ainda atua, sob a batuta do cineasta Matt Reeves em “The Batman”, como o mafioso Carmine Falcone.

É Simona Paggi quem assina a suave montagem do longa, que começa com um divertido embate entre Quintana e o diretor do presídio onde mofou, vivido por Christopher Walken. O humor dos irmãos Coen, diretores-autores de “Lebowski”, hoje ocupados com uma releitura de “Macbeth” com Denzel Washington, parece ter influenciado a escrita de Turturro, sobretudo nos diálogos.

p.s.: Assim que terminar a Berlinale 2020, em 1º de março, o planisfério das mostras de cinema se volta para o Festival de Bergamo, na Itália, que de 7 a 15/3 vai explorar a obra de três artesãos do Velho Mundo: João Nicolau (Portugal), Rúnar Rúnarsson (Islândia) e Danis Tanović (Bósnia). A atração de abertura do evento vai ser uma projeção da cópia nova de “THX 1138”, de George Lucas, com trilha sonora conduzida ao vivo pela Asian Dub Foundation.
p.s.2: Falando da Berlinale, que começa no dia 20 de fevereiro, o evento anunciou a inclusão de mais um .doc na seção Panorama: “Saudi Runaway”, de Susanne Regina Meures. E sabe-se que a atriz Cate Blanchett e a compositora islandesa Hildur Guðnadóttir, favorita ao Oscar de melhor trilha sonora por “Coringa” vão à Alemanha conversar com os eleitos em formação da Berlinale Talents.

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