Jeremy Irons preside a briga pelo Urso de Berlim

Jeremy Irons preside a briga pelo Urso de Berlim

Rodrigo Fonseca

09 de janeiro de 2020 | 10h53

Rodrigo Fonseca
Primeiro dos grandes festivais de cinema do mundo a abrir uma vitrine (e uma competição) só para narrativas serializadas, valorizando TV e streaming, a Berlinale, que abre sua edição de nº 70 no dia 20 de fevereiro, não escalou o inglês Jeremy Irons, de 71 anos, para ser o presidente do júri da disputa pelo Urso de Ouro de 2020 por acaso. Ganhador do Oscar por “O Reverso da Fortuna”, em 1991, ele andava em uma fase de vacas magras, pagando as contas na pele de Alfred Pennyworth, o mordomo do Batman Ben Affleck, até aparecer uma vaga no seriado da HBO “Watchmen”. A crítica apontou, com unanimidade, a relevância política da série, na qual ele vive o milionário Adrian Veidt, aka Ozymandias, um herdeiro de Alexandre o Grande, que foi super-herói, mas quase condenou o mundo a uma hecatombe. No projeto televisivo de Damon Lindelof, supervisionado pelo quadrinista Dave Gibbons (coautor da HQ homônima da DC Comics, com Alan Moore), o racismo se tornava o principal alvo de vigilantes caídos, que tinham na figura do ser onipotente Dr. Manhattan um espelho a ser evitado (e, depois, a ser seguido). Como o Festival de Berlim é uma vitrina de afirmação de luta contra preconceitos dos mais diversos, o gesto da TV a cabo de converter uma das mais cultuadas grifes de gibi num pleito contra a violência racial não poderia passar desapercebido. Daí a deixa para se resgatar o prestígio de um dos maiores atores dos anos 1980 e 90, que volta aos cinemas até dezembro, ao lado de Diane Keaton, na comédia “Love, Weddings & Other Disasters”. Há quem diga que ela vai ser exibida na Berlinale, fora de concurso. Até agora, nada se sabe sobre os concorrentes, mas é encarada como certa a escalação de “Home”, longa de estreia da atriz germânica Franka Potente (de “Corra, Lola, Corra”) na direção. Cresce ainda a expectativa em torno da projeção de “Le sel des larmes”, novo trabalho de Philippe Garrel, centrado nas paixões de uma imigrante de origem africana no Velho Mundo, na briga pelo Urso.

Ozymandias (Jeremy Irons) em “Watchmen”, da HBO

Cogita-se, ainda, a participação de longas-metragens inéditos da inglesa Sally Potter (“Molly”, com Elle Fanning e Javier Bardem vivendo filha e pai em crise); do romeno Cristi Puiu (com “Malmkrog”); do dinamarquês Thomas Vinterberg (“Druk”, no qual Mads Mikkelsen encarna um professor alcoólatra); da japonesa Naomi Kawase (com “Asa ga Kuru”, sobre uma mulher às voltas com a adoção de um bebê); e do polonês Tomasz Wasilewski, com “Fools”. Alguns falam na animação “Izzy Got the Frizzies”, a estreia do coreano Kim Ki-Duk em desenhos. Algumas previsões dão como certa a escolha do novo longa de François Ozon: “Eté 84”. Existe ainda uma hipótese de haver o português “O Lugre – Terra Nova”, de Artur Ribeiro, no certame. “The Birthday Cake”, comédia de Jimmy Giannopoulos, com Ewan McGregor e Val Kilmer, pode iniciar sua carreira no Berlinale Palast, assim como . Cassandras de plantão lembram de Sean Durkin e seu “The Nest” (com Jude Law) e da espanhola Isabel Coixet, que está preparando “It snows in Benidorm”. Porém, o nome mais citado foi o de Gianfranco Rosi. Seu “Notturno” é tratado como atração garantida para as telas alemãs.

Do que já foi anunciado, o maior destaque é a projeção de “Pinóquio”, de Matteo Garrone. Vai ter Brasil em dose tripla nessa Berlinale: Matias Mariani entra com “Cidade Pássaro” na Panorama; Caru Alves de Souza, com “Meu Nome é Bagdá” na Generation; e Ana Vaz, com “Apiyemiyekî” no Forum Expanded. Estima-se que Laís Bodanzky possa ser selecionada com seu longa sobre D. Pedro I, com Cauã Reymond. Mas nada foi confirmado.

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