Jeff Nichols, o talento que Hollywood insiste em não reconhecer

Jeff Nichols, o talento que Hollywood insiste em não reconhecer

Rodrigo Fonseca

03 Janeiro 2017 | 10h03

Jeff Nichols dirige Michael Shannon em

Jeff Nichols (à esquerda) dirige Michael Shannon na sci-fi “Midnight Special”

RODRIGO FONSECA

Guru das premiações do cinema americano, a bamba do jornalismo cinematográfico americano Sasha Stone publicou um texto no 1º dia deste novo ano se perguntando por que raios o cineasta Jeff Nichols não foi devidamente reconhecido nas láureas que antecedem o Oscar por ter feito dois dos melhores filmes de 2016: Loving e Midnight Special. Ele concorreu à Palma de Ouro pelo primeiro, um comovente drama com base em fatos reais sobre um casal interracial dos EUA de 1950 (ela era negra; ele, branco) hostilizado até pela Lei, que concorre ao Globo de Ouro de melhor atriz (Ruth Negga, magnífica) e ator (Joel Edgerton). Ok, este ainda entrou para uma dos prêmios de mais e melhor prestígio da indústria cinematográfica, mas ficou restrito às categorias de atuação, sendo que sua potência dramatúrgica vai muito além de seu elenco. Já o segundo, uma sci-fi comparada a Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977) em sua passagem pelo Festival de Berlim, sequer teve espaço nos festins paralelos à festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

“Dizem que tenho influência dos grandes realizadores americanos dos anos 1970, como Spielberg e até Terrence Malick, o que me deixa muito lisonjeado, mesmo sendo um exagero, pois, no fundo, eu sou apenas um admirador destes mestres, que toma emprestado deles, no máximo um certo senso de mistério”, disse Nichols, ao P de Pop na Berlinale. “Minha única preocupação é com os personagens: explorar bem todas as contradições de pessoas que falam pouco de si, mas agem”.

O casal interracial de

O casal interracial de “Loving”: fatos reais

Apontado como revelação desde que tomou a Semana da Crítica de Cannes de assalto com O Abrigo (2011), um ensaio sobre paranoia, Nichols é encarado na Europa como um artífice das cartilhas de gênero do thriller psicológico e da aventura geracional à la Tom Sawyer – um filão no qual adentrou com Amor Bandido. Com Loving, ele vai às raias do melodrama sem se descabelar. Já em Midnight Special, o diretor constroi um fio melodramático em volta de um enredo fantástico sobre um menino com poderes paranormais (ligados a algo que pode não ser deste nosso mundo), que carece do amparo dos pais (Kirsten Dunst e Shannon, parceiro habitual do cineasta). O tema da família (seja uma família dada previamente, seja uma família formada na P.A. e P.G. da amizade) é a questão central do cineasta. Todos os filmes dele falam sobre o quanto as formações clânicas sustentam o impacto de tragédias externas.

O supracitado texto do Awards Daily está na íntegra aqui:

http://www.awardsdaily.com/2017/01/01/strangers-strange-land-case-loving-midnight-special/