Jean-François Richet, o imperador da ação

Jean-François Richet, o imperador da ação

Rodrigo Fonseca

22 de maio de 2020 | 14h44

Rodrigo Fonseca – #FiqueEmCasa
Dínamo do cinema de ação europeu, o realizador francês Jean-François Richet (“Herança de Sangue”) tem um par de filmes de peso ao alcance de um clique, na web brasileira, com o cult “Inimigo Público nº 1 – Parte 2” (2008) na Globoplay e o brilhante thriller de época “Imperador de Paris” (2018), inédito aqui, no Looke. Vincent Cassel protagoniza ambos. O primeiro, visto por 1,4 milhão de pagantes em seu país, é uma revisão histórica, com recheio de adrenalina, dos feitos do gângster Jacques Mesrine (1936-1979). Já “L’Empereur de Paris” foi concebido para ser a ofensiva francesa contra os blockbusters de Hollywood, baseando-se nos feitos do criminoso Eugène François Vidocq (1775-1857). O longa fez jus a seu objetivo: graças ao carisma do já citado Cassel, o longa vendeu 730 mil ingressos em três semanas. Na trama, Vidocq tenta refazer sua vida como comerciante, mas é empurrado de volta ao submundo, mas, desta vez, para debelar os malfeitores. As cenas de combate rodadas por Richet são impressionantes.

Aos 53 anos, o diretor conversou com o P de Pop, num papo articulado pela Unifrance, o órgão de fomento da produção audiovisual da França. A conversa foi uma iniciativa para aproximar os maiores artistas das telas de sua pátria de outros públicos cinéfilos.
“Personagens com zonas cinzentas: é isso que me interessa”, disse Richet. “Em todas as épocas há ‘heróis’, mas algumas épocas permitem termos mais figuras heroicas. Guerras e revoluções, por exemplo, fomentam o heroísmo. Na dramaturgia, situações extremas ajudam a eclodir do conceito e ‘herói’. E, depois, há os heróis do nosso dia adia, aqueles que arriscam as suas vidas, conscientemente, para salvar as vidas dos outros.
Ladino transformado em detetive em “L’Empereur…”, o Vidcoq de Richet é influenciado por um seriado da década de 1970 com Claude Brasseur. “Vidocq é uma figura com uma rota única. Ele era um bandido de renome e ele vai se tornar chefe da polícia de Paris. Na França, houve uma série de televisão sobre ele muito popular”, diz o cineasta. “Embora a noção de herói, mais propositiva, passe longe desse Vidocq que existe em nossas memórias, algumas coisas interessantes relativas àquela referência permaneceram”.

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