Javier Bardem de ‘patrão’ no Festival de Búzios

Javier Bardem de ‘patrão’ no Festival de Búzios

Rodrigo Fonseca

20 de junho de 2022 | 15h52

“O Bom Patrão” levou Javier Bardem e Almudena Amor às telas de San Sebastián

Rodrigo Fonseca
Saiu a programação do 26º Búzios Cine Festival, que vai mobilizar o litoral do Rio de 23 e 26 de junho, e entre as atrações imperdíveis há uma joia espanhola: “O Bom Patrão” (“El Buen Patrón”), de Fernando León de Aranoa. A sessão será neste sábado, às 21h, no Gran Cine Bardot. Indicada à Concha de Ouro do Festival de San Sebastián, esta deliciosa comédia com Javier Bardem conquistou o troféu Goya, o Oscar da Espanha, em cinco catergorias. Teve prêmio de melhor filme, direção, roteiro original, montagem, trilha sonora e ator (pra Javier). E, com tanta vitória, o mercado exibidor nacional anseia pelo longa.
“Um bom roteiro é um presente para um ator. E foi o que encontrei aqui ao falar de um homem cujo código particular de honra é uma simples desculpa para seu abuso de poder, para atropelar os direitos fundamentais de seus funcionários. Uma pessoa antiética. Mas essa doença que ele encarna vem do olhar do Fernando”, disse Bardem, em resposta ao Estadão, em San Sebastián. “A questão central aqui é discutir relações de força em um ambiente de trabalho”.
Vinculado à tradição do cinema político europeu dos anos 1970, como o italiano “A Classe Operária Vá ao Paraíso” (Palma de Ouro em 1972), “El Buen Patrón” dá a Bardem seu melhor papel desde “Biutiful” – pelo qual ganhou o prêmio de melhor interpretação em Cannes, em 2010. Ele vive Hernán Blanco, dono de uma metalúrgica que se faz passar por um pai para seus empregados, mas é capaz de explorar a boa vontade deles sem nenhum pudor. Da mesma forma, ele disfarça seu sexismo numa postura avessa a práticas machistas, mas abusa das mulheres que o cercam, em nome do prazer. Uma funcionária (Almudena Amor) vai ser alvo de sua lábia, abrindo precedente para uma discussão sobre desrespeito e inequidade de gêneros no ambiente profissional.
“Blanco é um sujeito que usa a palavra ‘éxito’ como desculpa para abusar da boa vontade alheia. O que Fernando me ofereceu ao me escalar para esse personagem foi um meio de discutir a busca pelo controle”, disse Bardem. “É um cinema que faz pensar o que temos aqui”.

Uma das promessas de excelência da maratona audiovisual buziana, fora o filmaço de Aranoa, é “O Próximo Passo” (“En Corps”), de Cédric Klapisch. Visto por 1,3 milhão de pagantes na França, esse comovente longa-metragem narra a batalha de uma bailarina para voltar a dançar.
“Precisamos manter o cinema, construindo plateias. E para construir plateias, nada é melhor do que a promoção de um grande festival, em que se traz diversidade em praças, na sala de cinema e em áreas populares”, explica Vilma Lustosa, diretora do Búzios Cine Festival em duo com o ator Mario José Paz.
Na sexta, eles vão exibir “Minha Família Perfeita”, um show de atuação de Otávio Augusto e Antonio Calloni sob a direção de Felipe Joffily. No domingo é dia de uma mostra de curtas e de uma exibição de “Um Herói”, o Grande Prêmio do Júri de Cannes de 2021, sob a direção do iraniano Asghar Farhadi.
“Reativar a exibição e a linguagem do cinema num momento de profunda crise econômica, mercadológica e cultural é oportuno e de transcendental importância. ‘Cinema é a nossa praia’ é um dos registros mais consistentes deste polo de Turismo”, diz Paz. “O Festival de Cinema é o evento cultural mais importante da cidade e integra, há 26 anos, seu calendário anual que é a coluna vertebral da identidade da cidade”.

p.s.: “Quando o Carnaval Chegar” (1972), de Carlos Diegues, está na Globoplay. O filme mais doce da filmografia de Cacá, construído para ser uma homenagem ao cinema musical carnavalesco brasileiro, com Chico Buarque, Nara Leão e Bethânia no elenco. Em sua trama, um grupo vocal agenciado por um malandro (Hugo Carvana, impagável) é contratado para se apresentar para um rei que chegará à cidade no Carnaval. Mas algumas discussões e romances entre eles impedem que o espetáculo aconteça.

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