Irã do luto à luta no Anima Mundi

Irã do luto à luta no Anima Mundi

Rodrigo Fonseca

16 de julho de 2019 | 01h40

Rodrigo Fonseca
Vai ter filme iraniano dos bons na seleção do 27º Anima Mundi, cuja maratona vai de 17 a 21 de julho no Rio de Janeiro, e de 24 a 28 de julho, em São Paulo, com mais de 300 títulos de 40 países, entre eles o doloroso “Son of the Sea”, vindo da terra de Asghar Farhadi e Jafar Panahi precedido de elogios. Laureado com um prêmio especial no Festival de Annecy, a Croisette da animação, este ensaio sobre o luto é assinado pelo diretor Abbas Jalai Yekta e fala sobre como se acomoda a dor da perda. Nele, o desenho de um guri sapeca representa a fantasmagoria da saudade de um pai que perdeu seu rebento.

Há curtas imperdíveis no Anima Mundi 2019, como “Miles”, da búlgara Kalina Detcheva, sobre um gato trompetista em devaneios jazzístico. Da Irlanda veio “The bird & the whale”, de Carol Freeman, uma pintura viva (e vívida) sobre a convivência das espécies Uma dos achados da festa animada é “Tio Tomás – A contabilidade dos dias”, de Regina Pessoa (“Oncle Thomas – La Comptabilité des jours”, Portugal). De um detalhismo milimétrico na representação da rotina de um absorto contador e do dia a dia de travessuras de sua sobrinha, este ensaio lusitano sobre o processo de (auto)enclausuramento existencial carrega o lirismo que fez da diretora de “A noite” (1999) uma das maiores animadoras da Europa. Conquistou o Prêmio do Júri de Annecy. Do Japão, a pedida é “Invisible”, de Akihiko Yamashita. Artesão do estúdio Ghibli, integrante da equipe de Hayao Miyazaki no oscarizado “A viagem de Chihiro” (2002), o veterano animador de cults como “Chûzumô” (2010) narra neste anime a saga de um homem invisível que tenta se fazer notar, numa grande metrópole, como pode. Destaca-se, entre as fileiras nacionais o rascante “Selvageria”, de Guy Charnaux, um poema em 2D, construído num corpo a corpo com as HQs do genial André Dahmer.

Entre os longas do evento carioca e paulista, merecem distinção “Buñuel en el laberinto de las tortugas”, de Salvador Simó, sobre a juventude do diretor de “Um cão andaluz” (1929), e “A Cidade dos Piratas”, um misto de documentário e desabafo de Otto Guerra sobre sexualidade, com base no universo da cartunista Laerte. Confira a seguir a grade exibidora deste Anima:

Rio de Janeiro: de 17 a 21 de julho, no Centro Cultural Banco do Brasil (R. Primeiro de Março, 66 – Centro) e Estação Net Botafogo (R. Voluntários da Pátria, 88 – Botafogo);

São Paulo: de 24 a 28 de julho, no Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 – Bela Vista), Petra Belas Artes (R. da Consolação, 2423 – Consolação), IMS Paulista (Av. Paulista, 2424 – Consolação) e Auditório Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral – Vila Mariana).

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