‘Inutilezas’ leva lirismo à noite da FLIP

‘Inutilezas’ leva lirismo à noite da FLIP

Rodrigo Fonseca

02 Julho 2016 | 11h59

Inutilezas Flip

Tentadora, a ideia de que, com as palavras, é possível multiplicar os silêncios ganha cheiro de terra e gosto de prosa no palco do Silo Sesc, canteiro de artes cênicas no coração da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), na noite deste sábado, dia 2, às 20h, com a encenação de Inutilezas. Brincadeira de roda travestida de peça boa, esta gincana de salivas e verbos abre uma janelinha para que se observe todo o encanto na rotina retratada na lírica de Manoel Wenceslau Leite de Barros (1915-2014), poeta mato-grossense, garimpeiro de gemas literárias como O Guardador de Águas e O Fazedor de Amanhecer. Em cena, vemos dois esboços de gente, alimentados pela beleza de Bianca Ramoneda de um lado e pela força telúrica de Gabriel Braga Nunes do outro. A direção é de Moacir Chaves, com base nas reflexões que a ruiva por trás das entrevistas do programa Ofício em Cena preparou a partir dos versos de Manoel.  Tudo o que temos diante do olho são as memórias de um casal de irmãos que passou a infância num lugar chamado de “Lacuna de Gente”. Há, num plano paralelo, uma metalinguagem sobre o empenho de dois atores que se reúnem para transformar poesia em teatro. É, portanto, espertice e valentura, travessia e travessura. Daquela que entra e faz falta quando sai.