Ímã de risos, Stepan Nercessian é o Sol de ‘Os Penetras 2’

Ímã de risos, Stepan Nercessian é o Sol de ‘Os Penetras 2’

Rodrigo Fonseca

18 Janeiro 2017 | 15h45

Representação viva da fanfarronice, Stepan Nercessian rouba a cena da sequência de

Representação viva da fanfarronice, Stepan Nercessian rouba a cena da sequência de “Os Penetras”

RODRIGO FONSECA

Espécie de Um Convidado Bem Trapalhão em versão Guy Ritchie (o diretor de Snatch – Porcos e Diamantes), o descolado Os Penetras 2 – Quem Dá Mais, que estreia nesta quinta em todo o país, vai além da gargalhada, em seu esforço de reviver a tradição de filmes sobre malandragem, e faz uma correção histórica de visibilidade – e de prestígio – ao devolver o devido destaque a um dos mais carismáticos atores do país: Stepan Nercessian. Ele volta à cena na pele do malandro veterano Nelson e engole cada cena na qual aparece – sobretudo ao lado de Laila Zaid – ao pensar um jeito de se dar bem em um golpe envolvendo mafiosos russos. Embora o protagonismo anunciado no trailer e no cartaz fique com Marcelo Adnet e com Eduardo Sterblicht, na prática, quem põe esta comédia no bolso é esse goiano de 63 anos que (merecidamente) recebeu o troféu Redentor de melhor coadjuvante no Festival do Rio 2016 por Sob Pressão. Lá e cá, o diretor é o mesmo: o premiado cineasta Andrucha Waddington (de Eu, Tu, Eles), que fará ainda Chacrinha, o Filme com Stepan. Ele foi o Velho Guerreiro nos palcos, em 2014.

Ainda neste verão, veremos Stepan na telinha à frente de um novo programa de entrevistas, misturado com dramaturgia, do Canal Brasil: Saideira, com direção de Marcio Vianna. Legado do mítico cineasta Hugo Carvana (1937-2014) herdado e desenvolvido por seus filhos (Rita, Pedro, Júlio e Cacala) na forma de 13 etílicos episódios, o seriado é estrelado por Nercessian e Antonio Pedro como dois pinguços profissionais. A cada capítulo, de 26 minutos, a dupla colhe causos divertidos de personalidades da TV, do teatro e do jornalismo no Brasil, regando o papo a muita vodca, uísque e cerveja. Houve quem preferisse caipirinha, como foi o caso de Fernanda Montenegro, a única convidada a duelar sozinha com os copos furados de Stepan e Pedro – em geral, os entrevistados chegam aos pares. No primeiro programa,  o cineasta blockbuster Daniel Filho e o crítico Sérgio Augusto foram o par inaugural desta atração on the rocks.

Confinado nos últimos anos a papéis secundários, Stepan ganhou notoriedade nas telas em 1969, ao protagonizar o cult Marcelo Zona Sul, um libelo sobre a rebeldia juvenil de Xavier de Oliveira. Desde então, contabilizou participações em filmes míticos, como Rainha Diaba (1974) e A Gargalhada Final (1979), tendo sido o Querô, de Plínio Marcos em Barra Pesada (1977). Mas a mítica pessoal, em sua persona de fanfarrão, custou a ser oferecida. Mas chegou a hora dos louros: Stepan é, sim, um dos mitos de nosso cinema. Uma espécie de Peréio versão paz e amor, com um talento raro de simbolizar as angústias e as alegrias do povão no cotidiano deste país.