Iguaria de Isabel Coixet adocica a Paramount+

Iguaria de Isabel Coixet adocica a Paramount+

Rodrigo Fonseca

10 de janeiro de 2022 | 14h45

Timothy Spall protagoniza “Neve em Benidorm”

RODRIGO FONSECA
Tem uma iguaria da diretora espanhola Isabel Coixet no cardápio da Paramount Plus: o doce “Neva em Benidorm”. Envolvida com a direção de “Nobody’s Heart”, a ser rodado com Gugu Mbatha-Raw e Edgar Ramírez, a partir da história dos segredos de uma viuvez, a cineasta catalã é um dos nomes mais disputados da indústria audiovisual catalã, seja no streaming, seja no cinema, por conta de seu histórico de sucessos. Realizadora do premiado “A Livraria” (2017) e do cult “Fatal” (2008), a realizadora de 61 anos é um dos patrimônios mais valiosos da reconfiguração audiovisual que a Espanha atravessa há duas décadas, desde o fenômeno de “Tudo Sobre Minha Mãe” e de sua vitória no Oscar de 2000. Altíssima, a bilheteria do longa-metragem mais festejado de Pedro Almodóvar fez com que seu país percebesse a urgência de se investir no cinema – anos depois, a TV entrou no bonde e, agora, o streaming – como indústria de base para a edificação da economia ibérica. Com isso, centros de estudo foram fortalecidos e fontes de fomento se encorparam, em especial nas regiões bascas. Não por acaso, Pedro e seu irmão, o ex-químico e atual produtor Agustín Almodóvar são os parceiros de Isabel em “It Snows in Benidorm”, o título original do longa que ela trouxe para a streaminguesfera. A produção é da El Deseo, mesma do recente “Madres Paralelas” (2021) e das demais joias almodovarianas, e se concentra na viagem do bancário inglês Peter (Timothy Spall) até uma cidade espanhola onde seu irmão refugiou-se há tempos. Mas ao chegar lá, percebe que ele desapareceu, deixando um clube noturno sem gerência. Entre as dançarinas está Alex (Sarita Choudhury), que vai roubar o coração de Peter e abrir um oceano de perigos no qual ele vai naufragar.
“A simplicidade é algo muito complexo de se retratar… e mais ainda de se alcançar, o que me leva a sempre buscar histórias de pessoas simples”, disse Coixet ao P de Pop, na Berlinale de 2019, quando concorreu ao Urso de Ouro com “Elisa y Marcela”. “Tenho um interesse recorrente nessa questão do amor entre pessoas de gerações diferentes: ele, velho; ela, jovem. Havia isso em ‘A Livraria’. Há algo assim também em ‘Fatal’. Há algo de encantador na forma sobre como corpos separados pelo Tempo se engatam e conversam entre si, pela calmaria. Gosto de ver como relações assim se desenham”.

p.s.: Já está venda no site da Panini o encadernado QUESTÃO: AS MORTES DE VIC SAGE. Periga ser a obra-prima quadrinística de 2022. O escritor vencedor de Eisner, Jeff Lemire (de “Sweet Tooth”), une forças com duas lendas – Denys Cowan e Bill Sienkiewicz – para ressuscitar Vic Sage, detetive que usa uma máscara sem rosto para limpar as ruas de Hub City. Mas o vigilante vai depositar seu pescoço numa guilhotina ao esbarrar com uma conspiração que vai das alturas do poder da cidade central às profundezas de seus túneis?

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