‘Hors Normes’ segue intocável no gosto francês

‘Hors Normes’ segue intocável no gosto francês

Rodrigo Fonseca

13 de janeiro de 2020 | 09h17

Rodrigo Fonseca
Lançado há nove anos em sua terra natal, a França, mas jamais equiparado, em termos de rentabilidade, por nenhum outro lançamento de sua própria indústria, “Intocáveis” continua dando frutos a seus realizadores, Éric Toledano e Olivier Nakache, que, neste fim de semana, têm um compromisso em país, para promover seu novo filme, também um sucesso popular: “Hors Normes” (“The Specials”). Prestigiada por 1,9 milhão de pagantes em um mês em cartaz em solo parisiense e cidades vizinhas, a história de dois educadores (vividos pelos atores Vincent Cassel e Reda Kateb) especializados na integração de crianças e jovens autistas, ainda não correu as salas exibidoras das Américas e de muitos países da Europa. Por isso, esse blockbuster nato é um dos focos do Rendez-vous Avec Le Cinéma Français, que inaugura, na quinta-feira, sua 22º edição. “Falar com grandes plateias é uma forma de afirmar a tradição popular do audiovisual francês”, disse Toledano ao P de Pop, no Festival de San Sebastián.
Rendez-vous é um nome pomposo para fazer jus ao evento a que se refere: um fórum promocional idealizado para atrair os holofotes mundiais para a nova safra da França no audiovisual. Toda a vitalidade e a diversidade de gêneros dos franceses em circuito serão celebradas de 16 a 20 de janeiro em Paris. Estima-se a presença de cerca de 100 artistas, entre atrizes de fama mundial, galãs queridos por plateias de múltiplas línguas e cineastas de veia autoral: entre os quais a atriz, cineasta e musa de Truffaut Fanny Ardant (estrela do sucesso “La Belle Époque”); o mestre das narrativas sociológicas Robert Guédiguian (com o inédito “Gloria Mundi” para lançar); e a sensação dos anos 1990 Julie Delpy (que acaba de dirigir o drama “My Zoe”). Ambos vão passar pelo painel de tendências estéticas concentrado no Hotel Le Collectionneur, na Rue de Courcelles. Lá será a sede da 22ª edição do Rendez-vous, realizado anualmente pela Unifrance. Esse é o órgão do governo da França responsável pela manutenção e promoção da indústria audiovisual. A cada ano, a Unifrance promove um encontro reunindo cerca de 400 distribuidores de todo o planeta para divulgar prováveis sucessos de bilheteria e experimentos narrativos com fôlego para desafiar as convenções cinematográfica.

Na semana que vem, emissários de 81 filmes vão passar pelas ruas parisienses, batendo ponto no Le Collectionneur, para um papo com cerca de 450 distribuidores e 120 jornalistas de 49 países, revelando as tendências que hão de mobilizar espectadores no planisfério cinéfilo. “Hors Normes” é um dos estandartes desta edição não apenas por toda a popularidade de Cassel e Kateb, mas pela grife popular em seus créditos de direção: Éric Toledano e Olivier Nakache. Foram eles que, em 2011, dirigiram “Intocáveis”, dramédia que vendeu cerca de 20 milhões de ingressos, sendo refilmada na Argentina e nos EUA e sendo adaptada como peça para os palcos brasileiros (como Marcelo Airoldi e Ailton Graça). Fala-se muito ainda de “Mama Weed”, de Jean-Paul Salomé, com Isabelle Huppert no papel de uma tradutora de árabe que trabalha, secretamente, como espiã. Esse é um dos títulos esperados para a 70ª Berlinale também. O Rendez-vous ainda deve mandar para Berlim a comédia de costumes “La bonne épouse”, de Martin Provost, sobre o sexismo nos anos 1960, com Juliette Binoche.
Lançamento da Gaumont, “Hors Normes” é um dos estandartes desta edição não apenas por toda a popularidade de Cassel e Kateb, mas pela grife de cifras astronômicas que Toledano e Nakache se tornaram depois que “Intocáveis” vendeu cerca de 20 milhões de ingressos. A dramédia deles foi refilmada na Argentina e nos EUA e sendo adaptada como peça para os palcos brasileiros (como Marcelo Airoldi e Ailton Graça). “Tudo o que buscamos é explorar o que pode haver de poético nas situações mais corriqueiras do dia a dia, sempre com lirismo”, disse Nakache ao Estadão, quando as filmagens começaram.

p.s.: Com uma bilheteria estimada em US$ 94 milhões mundo adentro, “Adoráveis Mulheres” (“Little Women”) é de uma lindeza que não cabe na tela, escorrendo dela conforme atesta a autoralidade da diretora Greta Gerwid (na forma, em especial) em edições que mesclam tempos distintos. Seu elenco de protagonistas (com especial brilho pra Florence Pugh) vitamina o espírito de “narrativa de formação” da trama, ao mesmo tempo que a escolha de Louis Garrel (titânico em sua dimensão trágica) apara as arestas românticas desse filme capaz de desopilar fígados, almas e olhos, os intolerantes e os carentes.

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