Hj na TV: ‘Lethal Weapon’, ‘Cidadão Kane’ da ação

Hj na TV: ‘Lethal Weapon’, ‘Cidadão Kane’ da ação

Rodrigo Fonseca

07 de junho de 2020 | 12h01

Márcio Simões e Júlio Chaves dublam Danny Glover e Mel Gibson na versão brasileira de “Máquina Mortífera”

Rodrigo Fonseca – #FiqueEmCasa
Responsável por redefinir as bases do cinema de ação, ao lado de “Duro de Matar” (1988), no apogeu do gênero, “Máquina Mortífera” (“Lethal Weapon”, 1987), o “Cidadão Kane” de seu filão, vai voltar a prateleira que popularizou ainda mais sua grife no Brasil: a grade da TV aberta. Lançada na televisão nacional na “Tela Quente”, em 1993, a produção de US$ 15 milhões, que faturou US$ 120 milhões, vai ser transmitida pela Globo, à 0h30, no “Cinemaço”, com sua estonteante dublagem original, feita nos estúdios da Herbert Richers. Rodado na Califórnia, o longa-metragem nasceu de um roteiro do então jovem Shane Black, realizador de “Homem de Ferro 3” (2013), vendido por US$ 250 mil. Nele encontramos uma fórmula que recaracterizou a representação da violência na telona: o buddy movie, um biprotagonismo de heróis de temperamentos diferentes. De um lado, na trama, temos o experiente sargento Roger Murtaugh, confiado a Danny Glover, dublado aqui por Márcio Simões: trata-se de um homem da lei centrado, ocupado com sua família. Do outro lado vem o destemperado Martin Riggs, que catapultou Mel Gibson (na voz de Júlio Chaves) ao status de astro rei: trata-se de um ex-combatente do Vietnã, hábil em lutas marciais e bom de bala, que está em ideação suicida por conta da morte de sua mulher. Murtaugh é obrigado a unir forças a Riggs durante a investigação do suicídio de uma jovem, que pode estar articulada a uma rede de tráfico ligada ao ex-militar Peter McAllister (Mitchell Ryan) e seu braço direito, o assassino Joshua (Gary Busey). Essa conexão, que coloca os dois em risco, inicia uma amizade seminal, que rendeu, na indústria do audiovisual, uma franquia milionária, que rendeu US$ 953 milhões e inspirou uma série homônima. A direção do longa que a Globo exibe esta noite é de Richard Donner, que vinha do cult “O Feitiço de Áquila” (1985). Chegaram a cotar Leonard Nimoy (1931-2015), o Sr. Spock, para a direção, mas ele preferiu investir em “Três Solteirões e Um Bebê” (1987). Todos ganhamos com isso, pois Donner, que já havia brilhado em “A Profecia” (1976) e “Superman: O Filme” (1988). A Warner chegou a considerar a escalação de Bruce Willis para ser Riggs, mas o interesse de Gibson em trabalhar com RD mobilizou o cineasta, estabelecendo uma parceria seminal, que rendeu ainda “Maverick” (1994) e “Teoria da Conspiração” (1997). Vale destacar que Rorion Gracie trainou Gibson e outros atores nas artes de jiu-jitsu, para emprestar mais realismo à narrativa.
Indicado ao Oscar de melhor som, “Máquina Mortífera” vai estar disponível também via Globoplay, em paralelo à transmissão da TV.

p.s.: Às 22h30 deste domingão, a Band põe na grade da TV aberta um thriller que evoca a tradição social do cinema americano dos anos 1970: “Um Tira Acima da Lei” (“Rampart”), que rendeu a Woody Harrelson o prêmio de melhor ator no Festival de Abu Dhabi, em 2011. Foi a segunda colaboração dele com o diretor Oren Moverman, com quem trabalhou no drama “O Mensageiro” (2009), pelo qual foi indicado ao Oscar de melhor coadjuvante. Na produção que a Band projeta esta noite, com roteiro assinado pelo bamba da literatura noir James Ellroy, um inspirado Harrelson vive um tira decadente que atrai os olhos da corregedoria por seus delitos do passado. Tatá Guarnieri dubla o astro na versão brasileira.

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