Hellboy ganha holofotes entre Mythos das HQs

Hellboy ganha holofotes entre Mythos das HQs

Rodrigo Fonseca

03 de abril de 2021 | 13h07

Rodrigo Fonseca
Ocupado neste momento com as capas de “Falconspeare”, HQ da Dark Horse, baseado nas aventuras dos caçadores de vampiro J.T. Meinhardt, Sr. Knox e Sra. Mary Van Sloan, criados numa parceria com Warwick Johnson-Cadwell, o desenhista Michael Jospeh Mignola chegou aos 60 anos em 2020 respeitado como um dos maiores ilustradores na ativa nos quadrinhos, ainda exportando para o mundo sua cria mais famosa: “Hellboy”. A um passo de trintar, pois foi criado em 1993, o diabão vai ganhar um reforço nas gibiterias, bancas e na web aqui no Brasil, graças aos esforços da Mythos Editora. Já está disponível no www.lojamythos.com.br/ a pré-venda de “HELLBOY OMNIBUS – HISTÓRIAS CURTAS VOLUME 1 – PACOTE DO CAPETA”, com 16 histórias, sendo algumas delas ambientadas no México. Dá pra comprar ainda o delirante “PARAGENS EXÓTICAS”, com o vermelhão de passagem pela África. Vale lembrar que os feitos do personagem ganharam mais popularidade na indústria do pop graças a um filmaço de 2004, dirigido por Guillermo Del Toro, cuja receita US$ 99 milhões.
Acerca da mais recente peripécia cinéfila de Hellboy, lançada em 2019, ela está disponível no catálogo do Telecine Play. Mas foi um fracassaço. Custou US$ 50 milhões e faturou só US$ 55 milhões. Mas tem seu valor. E muito. Vale sobretudo pelo desempenho de David Harbour no papel do anti-herói. E sua dublagem aqui ficou um brinco, graças ao trabalho de Maurício Berger.

Catapulta pop para uma renovação pop das HQs, em sua criação, em 1993, Hellboy nunca teve uma dramaturgia muito requintada, seja como estrutura narrativas, seja como diálogo, mas o arrojo grotesco no traço de seu pai terreno, Mignola, somado a motes originais (e incorretíssimos), compensava qualquer deslize ou qualquer roteiro ogro. Por isso, a acusação que fazem hoje de que a nova versão para os cinemas do demônio caçador de bestas do Além fracassou por resvalar na tosquice é imprecisa, embora não seja totalmente descartável. Essa produção é pilotada por Neil Marshall (do Bzíssimo “Centurião”, com Michael Fassbender). Nela, sob decibéis ensurdecedores de uma trilha roqueira (metida a heavy metal) gordurosa e mal distribuída, há uma aventura abusada, sanguinolenta, cheia de transgressões morais, vitaminada por uma inspirada atuação de Milla Jovovich (mais madura como intérprete, áspera no olhar, perfeita como vilã), capaz de evocar cults dos anos 1980. É uma espécie de “Os Aventureiros do Bairro Proibido” (1986), com John Carpenter na veia, mas fora de época. Seria um filmaço se tivesse sido lançado na década de 1980. Mas não foi. Seu erro maior é o descompasso com o Presente, em uma forma de narrar que soa desterritorializada não por estilo, mas por desacerto, por incongruências com a estética dos quadrinhos. Sobre Milla… a atriz do obrigatório “Monster Hunter” aparece aqui numa atuação impecável em sua maldade misturada a uma mirada druídica de conexão com a terra, com as plantas, com os elementais. O “Hellboy” de Marshall é um clipe da Enya versão X-Rated, com uma fantasia lisérgica e gritadora. Ele agoniza onde o supracitado “Hellboy” de Guillermo Del Toro, um sucesso de 2004, serenava. Aqui, o diabo de coração bom precisa deter uma feiticeira que foi morta por Rei Arthur, mas cujo espírito sobreviveu, e segue fazendo ruindades. Izabel Lira dubla Milla.
Alguns dos seres das trevas encarados pelo mocinho do longa-metragem, a golpes de sua manopla, têm uma engenharia de efeitos especiais primorosa, como Babba Yaga e sua casa mutante. Mas algumas das sequências de ação e algumas das metamorfoses digitais dos seres sobrenaturais beiram a canhestrice. Mesmo assim, a adrenalina é generosa e sem rédeas. E a piada com o signo de Capricórnio merece aplausos. A influência de Carpenter aqui não foi compensada por uma destreza da direção à altura de seu referencial genial. Mike Mignola merecia mais. Mas o que temos diverte.

Falando dos bons feitos da Mythos, já está em pré-venda no site deles “Mandrake por Galep”, com histórias do mágico abrilhantadas pelo traço do criador de Tex. Antes de conceber o caubói mais famoso dos quadrinhos, em parceria com Gian Luigi Bonelli (1908-2001), Aurelio Gallepini (1917-1994), o ilustrador primordial de Tex, emprestou seus talentos para outro ícone das HQs. Acompanhe essa edição especialíssima que mostra o encontro de dois ícones históricos da Nona Arte. A primeira criação de Lee Falk (1911-1999) ganha os contornos italianos de Gallep, que produziu diversas histórias para a editora Nerbini.

p.s.: À 0h50 desta madrugada, a Globo exibe o fenômeno de bilheteria “Missão Madrinha de Casamento” (“Braidsmaids”, 2011), que custou US$ 32,5 milhões e arrecadou uma bilheteria de US$ 288,3 milhões, além de ter sido indicado aos Oscars de melhor coadjuvante (Melissa McCarthy) e melhor roteiro original, assinado por Kristen Wiig e Annie Mumolo. Nessa hilária trama, Annie (Kristen) vive uma série de infortúnios em sua vida profissional e pessoal, que se acentuam quando uma de suas melhores amigas vai se casar. Aline Ghezzi dubla Kristen na versão brasileira.

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