Hans Petter Moland, ‘o’ diretor-autor da Noruega

Hans Petter Moland, ‘o’ diretor-autor da Noruega

Rodrigo Fonseca

16 de setembro de 2019 | 22h26

Cena de “Out Stealing Horses”: melhor fotografia na disputa pelo Urso de Ouro


Rodrigo Fonseca
Tem mostra de Valerio Zurlini (1926-1982) e retrospectiva de Wong Kar-wai (com destaque para “Happy together”) na Cinemateket, em Oslo, que comemora, nesta terça-feira, os 50 anos de “Easy Rider – Sem Destino”, como um tributo póstumo ao recém-partido Peter Fonda. Mas nada disso acontece sem o museu norueguês do cinema dar atenção absoluta ao cinema do presente, sobretudo de produção local. Nas paredes do espaço vemos referência a um filme ainda inédito no Brasil, “Out stealing horses” (“Ut og stjæle hester”, lançado por cá em março, após ter recebido o Prêmio de Contribuição Artística da Berlinale 2019, em fevereiro, dado à fotografia de Thomas Hardmeier e Rasmus Videbæk. Pela Noruega, ele circula há seis meses, em cinemas de rua abarrotados como o Klingenberg, onde disputa a atenção com joias atuais como o terror “Midsommar” e joias já bem futuras como “Rambo: Até o fim”, que estreia na quinta-feira, com fome de milhões. O apelo desse longa escandinavo vem do prestígio de seu diretor, Hans Petter Moland, quando o assunto é apuro visual. Poucos na Escandinávia filmam com o rigor dele.
Ao longo de 26 anos de uma carreira coroada por múltiplas indicações ao Urso de Ouro, Petter Moland, premiado por longas como “Um homem um tanto gentil” (2010) e “Uma nova vida” (2004), fez da excelência de seus enquadramentos (nas raias do deslumbre) o seu norte de trabalho. Cada quadro de seus filmes carrega uma potência plástica rebuscada, às vezes até excessiva, mas que demonstra uma reflexão formal, um desapego às convenções da trama, no desejo de libertar as imagens pelas fraturas na psiquê de seus personagens. Um flerte de Hans com a cartilha do thriller, o ótimo policial escandinavo “O cidadão do ano” (2014), despertou o interesse de Hollywood. Produtores americanos convidaram o cineasta para fazer um remake da história de um sujeito adorado por todos que liberta os demônios em sua alma depois de perder um filho – o rapaz é morto por um engano da máfia. Filmando no Canadá, Hans trouxe (o sempre impecável) Liam Neeson para viver o papel central de “Vingança a sangue-frio” – nas cópias dubladas, o astro ganha a voz do ótimo Armando Tiraboschi. Como no original, o modo como Hans enquadra a ambientação de neve, tira esta narrativa das convenções do gênero. É pena que frases fora de contexto de Neeson, consideradas racistas tenham prejudicado a vida comercial do longa, cuja bilheteria beira US$ 58 milhões. Temos aqui uma secura no desenho das personagens que só bambas autorais como Don Siegel (de “Madigan – Os impiedososd”) e Michael Winner (de “Jogo sujo”) faziam. O projeto recente de Petter Moland é “The Indian bride”.

O diretor Hans Petter Moland na Berlinale

p.s.: Nesta sexta, começa na Espanha a 67ª edição do Festival de San Sebastián, com a projeção de “Blackbird”, cuja direção cabe ao sul-africano radicado no Reino Unido Roger Michell. Embora não seja respeitado como deveria, o diretor é conhecido entre os brasileiros por um dos filmes mais reprisados do país nos últimos 20 anos: “Um lugar chamado Notting Hill”. Este novo trabalho dele é uma versão em língua inglesa do drama dinamarquês “Coração Mudo”, de Bille August, laureado mundialmente em 2014. No remake anglo-americano, Sarandon é a matriarca de uma família que se reencontra para uma festa de despedida. O adeus em questão é para a própria personagem de Sarandon, que, vítima de uma doença terminal, anseia por eutanásia para abreviar sua angústia. Mas seu reencontro com as filhas vai revelar segredos que hão de abalar a paz de seus entes queridos. A produção será exibida na Espanha em concurso. Produzido por Darren Aronofsky, o longa brasileiro “Pacificado”, com Débora Nascimento e Shirley Cruz, vai estar na competição pela Concha de Ouro, o troféu do evento espanhol.

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