Halder Gomes nos pincéis de Monet

Halder Gomes nos pincéis de Monet

Rodrigo Fonseca

16 de agosto de 2019 | 09h34

Diretor cearense se reúne com o elenco de “Vermelho Monet” (Maria Fernanda Cândido, Samantha Heck Müller e Chico Diaz): as filmagens começam no dia 23 de setembro, em Lisboa

Rodrigo Fonseca
Aos 52 anos, vivendo um momento de apogeu em sua trajetória como realizador, após a calorosa acolhida popular para a série “Cine Holliúdy”, na TV Globo, e após sua entrada para o bonde dos blockbusters, com “Os parças” (2017), o cearense Halder Gomes prepara as malas e as inquietações estéticas para filmar em Lisboa um “F for fake” sobre artes plásticas, desejo e reinvenções afetivas. “Vermelho Monet” é o nome do projeto que o diretor de “O Shaolim do Sertão” (2016) cultiva já há alguns anos, a partir de sua própria experiência autodidata com a pintura. As filmagens, na capital portuguesa, começam no dia 23 de setembro. Será uma coprodução entre as cias. ATC/GLAZ/UKBAR (Portugal), estrelada pelo trio Samantha Heck Müller, Maria Fernanda Cândido e Chico Diaz, que rodou este ano em terras lusas o esperado “O ano da morte de Ricardo Reis”. “Será um filme lusófono, falado em português do Brasil, Portugal e Angola, com cenas também em Inglês e Francês”, diz o diretor, nascido em Fortaleza. Eis a seguir um pouco do traço de Halder como pintor:

Agora pinceladas na dramaturgia de “Vermelho Monet”: um pintor clássico – Johannes Van Almeida (Chico Diaz), no fim de sua vida, deixa a prisão, após cumprir pena por falsificações, e tenta recomeçar sua rotina em Lisboa, em busca da inspiração para sua obra-prima autoral. A tragédia bate à sua porta quando ressurge em sua vida Antoinette (Maria Fernanda Cândido), uma marchand de arte e coinnosseur. Johannes terá ainda um encontro com Florence Lizz (Samantha Heck Müller), uma atriz internacional em crise diante do desafio de fazer o papel mais complexo de sua carreira. A convergência dele com essas duas mulheres pode mudar o colorido de seus dias.

Halder, o que é essa sua incursão no universo das artes plásticas? Vai haver espaço para o humor nesse projeto?
Halder Gomes:
A pintura é um universo que me fascina desde a infância. Surgiu junto ao mundo cinéfilo de “Cine Holliúdy”, no interior do Ceará, nos anos 70, quando eu via nos livros os quadros de artistas que, ao longo dos milênios, representaram nossa existência, até o surgimento da fotografia. Aqueles quadros, além do cineminha da cidade, eram uma janela para o mundo. Desde então, nunca viajei para um lugar que não fosse ver um museu e pinturas. Recentemente passei quatro semanas em Paris, trabalhando no roteiro nos cafés por onde passaram Picasso, Modigliani, Lautrec, Suzane Valladon, Berthe Morisot, Monet… Sem contar com as dezenas de museus visitados e os milhares de quadros vistos. Talvez seja o universo a que dedico mais tempo e estudo, mais do que qualquer outro. Sem falar que pinto desde criança. Por ser uma história muito dramática e pictórica, o humor surge apenas em uma cena como “alívio cômico”. Mas é um momento de humor específico, que fala desse universo.

Como é a sua relação com a pintura?
Halder Gomes:
É a minha maior paixão. Estou sempre lendo três ou quatro livros sobre o assunto ao mesmo tempo. Viajo exclusivamente pra ver museus e exposições. Pinto e desenho regularmente, assisto e coleciono tudo que é filme de pintores, viajo para conhecer os lugares onde viveram e o que viram. Já fui três vezes em Delf, Holanda, cidade de Vermeer. Ano passado passei o reveillon em Auvers-sur-Oise, cidade que Van Gogh morreu. Com absolutamente ninguém nas ruas daquela cidade, virei o ano em frente à igreja local, que foi retratada em um dos seus últimos quadros.

Sua carreira, de 2013 pra cá, tem sido uma das mais bem-sucedidas do cinema brasileiro. Como está essa sua agenda hoje e como é, hoje, pra alguém do teu calibre, filmar no Brasil?
Halder Gomes:
O “Cine Holliúdy” foi uma grande virada na minha carreira. O sucesso foi tamanho que me proporcionou realizar o sonho de todo diretor: fazer apenas os filmes que dão “tesão”. Assim tem sido. Todos projetos que fiz foram feitos com muito desejo, e isso talvez seja a “fórmula” do sucesso. Mas não só em cinema. Tem sido também nas peças do Edmilson Filho, que dirijo pro teatro, e na TV aberta, quando “Cine Holliúdy” (série) foi a maior audiência da Globo no seu horário desde 2017 – dentre as demais séries. Isso já assegurou a 2a temporada. E é daí que a agenda tem vários projetos em desenvolvimento. Alguns que posso falar, pois já estão na cara do gol: “Vermelho Monet”, “Cine Holliúdy – 2a temporada”, “O Shaolin do Sertão 2 – Chiba Effec”, “Pérola” etc. De novo, todo são projetos pelos quais tenho muito “tesão”. E filmar no Brasil é um privilégio. São talentos, locais, profissionais e histórias inesgotáveis.

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