Gramado renova sua munição autoral

Gramado renova sua munição autoral

Rodrigo Fonseca

18 de agosto de 2020 | 12h27

Cena de “Todos os Mortos”

Rodrigo Fonseca
Com a promessa de “levar Gramado até o público”, o mais popular dos festivais do cinema brasileiro confirma a promessa de excelência de sua 48ª edição – a ser realizada via streaming e via TV a cabo pelo Canal Brasil, de 18 a 24 de setembro – com uma seleção de fazer salivar qualquer cinéfilo, num trabalho de curadoria assinado pela cantora e atriz Soldad Villamil, o jornalista e diretor Pedro Bial e o crítico e professor de Comunicação Marcos Santuário. São sete longas-metragens brasileiros zero KM pra compor a briga, incluindo “Todos os Mortos”, de Caetano Gotardo e Marco Dutra, produção paulistana que disputou o Urso de Ouro na Berlinale, em fevereiro. Vão pra peleja com ele dois títulos egressos de Roterdã: “Aos Pedaços”, do veterano Ruy Guerra, que completa 90 anos em 2021; e “Um Animal Amarelo”, de Felipe Bragança, linkado à herança colonial d’África. De Brasília chega Cibele Amaral, realizadora do exuberante curta “Momento Trágico” (2003), concorrer com “Por Que Você Não Chora?”. De Pernambuco, Camilo Cavalcante (de “A História da Eternidade”) competirá com “King Kong em Asunción”. E tem dois documentários no páreo ainda: “O Samba é Primo do Jazz”, em que Angela Zoé investiga a música da cantora Alcione; e “Me Chama Que Eu Vou”, com o qual Joana Mariani mostra que o sangue do audiovisual ferve por Sidney Magal.
Para brigar pelos Kikitos da competição estrangeira, dedicada (como já é tradição) à América Latina hispânica, foram convocados sete longas de sete países. Vai ter Argentina (“O Silêncio do Caçador” – “El Silencio Del Cazador”, de Martín de Salvo); Bolívia (“Tu Me Manques”, de Rodrigo Bellott); Chile (“Los Fuertes”, de Omar Zúñiga Hidalgo); Colômbia (“La Frontera”, de David David); México (“Días de Invierno”, de Jaiziel Hernández); Paraguai (“Matar a Um Muerto”, de Hugo Giménez) e Uruguai (“El Gran Viaje a um País Pequeño”, de Mariana Viñoles).
Entre os curtas-metragens em competição, Gramado assegurou medalhões para si, como Sinai Sganzerla (concorrendo com “Extratos”) e o animador Otto Guerra, que divide com Érica Maradona a direção de “Subsolo”. Este ano, a diretora Laís Bodanzky vai receber o troféu honorário Eduardo Abelin por sua assinatura autoral gregária e avassaladora e por seu trabalho como gestora, à frente da SP Cine. Há uma torcida para que ela termine “Pedro” a tempo da peleja por prêmios, levando Cauã Reymond ao festival com sua releitura para os feitos de D. Pedro I. O tradicional troféu honorário Oscarito, que Gramado concede desde os anos 1990 este ano vai para Marco Nanini. O ator uruguaio César Troncoso será contemplado com o Kikito de Cristal e a atriz Denise Fraga recebe o troféu Cidade de Gramado.

Como vai ser uma edição não presencial, Gramado vai deitar e rolar no tapete vermelho que o Canal Brasil lhe estende (por todo o mérito) e prepara um maratonaço pro domingo, dia 26/09. Ali, a programação das horas que antecedem a cerimônia de premiação – que será transmitida ao vivo pelo canal – será toda dedicada à mais popular das competições do audiovisual brasileiro. Às 11h25, vai ao ar o filme “BR716”, de Domingos Oliveira, que levou o Kikito de melhor filme em 2016, seguido pelo episódio do programa “O País do Cinema” que discute a produção, às 13h. Uma edição especial do “Cinejornal” sobre o festival será exibida às 13h40. Às 14h, o CB exibe o cult “Bróder”, de Jeferson De, filme premiado em 2010; às 15h35, vai ao ar uma aula de inclusão chamada “Colegas”, de Marcelo Galvão, que teve uma vitória comovedora em 2012; às 17h20, rola (o necessário) “Ferrugem”, de Aly Muritiba, egresso de Sundance e laureado em 2018; e às 19h, é a vez de “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky, que faturou o Kikito em 2017. Vale lembrar que Laís ganhará o Troféu Eduardo Abelin este ano. Após a premiação, à 0h, o Canal Brasil exibe ainda “Tatuagem”, de Hilton Lacerda, devidamente “Kikitado” em 2013.

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