‘Gigantes de Aço’: ‘Sessão da Tarde’ das boas

‘Gigantes de Aço’: ‘Sessão da Tarde’ das boas

Rodrigo Fonseca

16 de outubro de 2020 | 11h53

Dublado no Brasil por Hércules Franco, Hugh Jackman treina seu robô para uma peleja que pode enriquecer seu bolo e repaginar sua relação com o filho

Rodrigo Fonseca
Tem um filmão na “Sessão da Tarde” desta sexta-feira: às 14h40, a Globo vai nos deleitar com “Real Steel”, êxito de bilheteria de 2011. Batizado em português de “Gigantes de Aço”, esta produção Walt Disney Co. é baseada no conto “Steel”, de Richard Matheson (1926-2013). Rodado em Michigan, o projeto custou US$ 110 milhões e faturou US$ 299 milhões, tendo ainda concorrido ao Oscar de efeitos visuais. Responsável pela série “Stranger Things” e por longas-metragens como “Uma Noite no Museu” (2006), Shawn Levy assina a direção desta aventura futurista, que se apoia no carisma de Hugh Jackman. Na trama, o eterno Wolverine, dublado majestosamente por Hércules Franco, interpreta (bem à beça) Kenton, um pugilista fracassado que se reinventa no ramo de box entre robôs. Ele tem a chance de treinar um construto mecânico talhado para a vitória, com gana de Rocky Balboa. Mas o treinamento exige de Kenton cuidado com o filho que não assumiu, Max (Dakota Goyo), aprendendo a ser pai. As sequências de luta esbanjam adrenalina, ao mesmo tempo em que a narrativa se banha nas águas do melodrama. Em paralelo a seu destaque na TV aberta, Jackman tem brilhado também no cabo, à frente de “Bad Education”, que vai estrear na HBO, narrando a história real de Frank Tassone, superintendente de colégios que cometeu uma fraude escolar nos EUA, no início dos anos 2000. Para 2021, ele tem engatilhado uma love story de tons sci-fi: “Reminiscence”, de Lisa Joy, no qual faz par com Rebecca Feguson, em uma trama sobre um invento científico capaz de permitir a volta no tempo, ao passado, de corações apaixonados que buscam reaver amores de ontem.
Falando de TV Globo, neste “Domingo Maior” rola o polêmico “A Vigilante Do Amanhã: Ghost In The Shell” (2017), com Scarlett Johansson como um construto mecânico com alma e coragem à moda humana.

p.s.1: Estreou “Alfazema”, de Sabrina Fidalgo, na MUBI nesta sexta, numa parceria com o Cabíria Festival, dedicado a narrativas femininas. De tempos em tempos, um curta-metragem fura a bolha dos holofotes restritos a longas e filmes feitos para streaming e se impõe por sua estrutura estética ou seu combativismo político. O novo curta da realizadora de “Rainha” (2016) deu um banho de confete, de axé, de afirmação racial negra e de empoderamento feminino por onde passou e ainda papou o Candango de melhor direção em Brasília. Shirley Cruz tem uma atuação zépelintrica no papel de uma foliã visitada por entidades de diversas potências e índoles em meio ao Carnaval. Elisa Lucinda rouba a cena no papel de Deus.

p.s.2: Como um texto teatral pode se relacionar com a história recente do Brasil? Como uma dramaturgia pode responder aos acontecimentos públicos da vida social em cidades brasileiras? Essas são algumas questões que guiam o projeto gratuito BRASIS POR ESCREVER, criado pelos autores e diretores cariocas Cecilia Ripoll e Diogo Liberano na busca por encontros e trocas com autores de outras partes do Brasil. Com inscrições abertas a partir de 19 de outubro, o projeto reunirá os orientadores com seis participantes para encontros semanais durante seis meses, nos quais serão realizados estudos e criações de novas dramaturgias. Serão selecionadas: uma pessoa nascida e residente na região Centro-Oeste do Brasil; duas na região Nordeste; duas na região Norte; e uma nascida-residente na região Sul. O projeto não oferecerá vagas para pessoas nascidas e residentes na Região Sudeste do Brasil, tendo em vista ser a região de origem dos criadores do projeto. O regulamento completo e a ficha de inscrição estão disponíveis em www.p-l-a-t-o.com e os selecionados serão divulgados no dia 9 de dezembro. “Um dos aspectos que mais nos interessa é qual tipo de desafio uma dramaturgia, criada a partir de um diálogo cuidadoso e coletivo, pode oferecer à prática teatral”, afirma Ripoll. De acordo com Liberano, “o Brasis que dá título ao projeto sinaliza a nossa busca por narrativas plurais propostas por pessoas diversas e de regiões outras do país que não apenas a Sudeste.

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