Garimpo do Real no menu do É Tudo Verdade

Garimpo do Real no menu do É Tudo Verdade

Rodrigo Fonseca

23 de março de 2021 | 11h13

RODRIGO FONSECA
Mais importante vitrine do documentário mundial nas Américas, o festival É Tudo Verdade vai iniciar sua 26ª edição no dia 8 de abril, indo até o dia 18 do mês que vem, com 69 títulos de 23 países, começando por uma animação egressa de Sundance com prêmios por sua potência narrativa: “Fuga” (“Flee”). Dirigido por Jonas Poher Rasmussen, a produção tem foco na luta de um intelectual afegão com segredos de seu passado, às vésperas de celebrar um romance e seu sucesso acadêmico. Para o encerramento, a maratona comandada pelo crítico e curador Amir Labaki escolheu um estudo sobre os povos originários desta pátria, que representou o Brasil na Berlinale, no início deste mês: “A Última Floresta”, de Luiz Bolognesi, com roteiro feito em parceira com o xamã Davi Kopenawa Yanomami. É um estudo sobre as tormentas que cercam as populações indígenas a partir de disputas de terras. Labaki convocou algumas das mais inquietas vozes da não ficção em seu país para concorrer, marcando a volta de Anna Muylaert (de “Que Horas Ela Volta?”) às telas, depois de um hiato de cinco anos, tendo ainda no pacote inéditos de Eryk Rocha, Lô Politi e Joel Pizzini. Em eventos paralelos, o ETV vai celebrar o centenário de Chris Marker (1921-2012), realizador de “Sem Sol” (1983), e fazer uma mostra dos documentários de Ruy Guerra, como “Os Comprometidos – Actas de um processo de descolonização” (1984) e “Mueda: Memória e Massacre” (1979/80). Haverá ainda a seção Caetano.Doc, reunindo filmes ligados pelo lirismo do cantor Caetano Veloso.
“Uma das coisas mais interessante no cinema contemporâneo é a porosidade entre os gêneros e a utilização da animação no documentário tem essa marca”, disse Labaki em resposta ao P de Pop acerca da seleção de “Fuga” para inaugurar a programação.

Confira a seguir os títulos em concurso no É Tudo Verdade:
COMPETIÇÃO BRASILEIRA:
Longas e médias-metragens:

“Alvorada”, de Anna Muylaert e Lô Politi
“Os Arrependidos”, de Armando Antenore e Ricardo Calil
“Dois Tempos”, de Pablo Francischelli
“Edna”, de Eryk Rocha.
“Máquina do Desejo – Os 60 Anos do Teatro Oficina”, de Lucas Weglinski e Joaquim Castro
“Paulo César Pinheiro – Letra e Alma”, de Cleisson Vidal e Andrea Prates
“Zimbra”, de Joel Pizzini
Curtas- metragens:
“Cartas de Brasília”, de Larissa Leite
“Coleção Preciosa”, de Rayssa Fernandes Coelho e Filipe Gama
“João por Inez”, de Bebeto Abrantes
“O Karaokê de Isadora”, de Thiago B. Mendonça
“Review”, de Tyrell Spencer
“Sem Título #7 Rara”, de Carlos Adriano
“Ser Feliz no Vão”, de Lucas H. Rossi dos Santos
“A Vida que eu Sonhava Ter”, de Eliane Scardovelli Pereira
“Yãokwa: Imagem e Memória”, de Vincent Carelli, Rita Carelli

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL:
Longas e médias-metragens:

“9 Dias em Raqqa” (9 Jours A Raqqa/ 9 Days in Raqqa), de Xavier de Lauzanne
“Eu e o Líder da Seita” (Aganai/ Me and the Cult Leader – A Modern Report on the Banality of Evil), de Atsushi Sakahara
“Glória à Rainha” (Glory to the Queen), de Tatia Skhirtladze
“Gorbachev.Céu” (Gorbachev.Heaven), de Vitaly Mansky
“História de um Olhar” (Histoire d’un Regard/ Looking for Gilles Caron), de Mariana Otero
“Leonie, Atriz e Espiã” (Leonie, Actrice en Spionne/ Leonie, Actress and Spy), de Annette Apon
“Mil Cortes” (A Thousand Cuts), de Ramona S. Diaz
“MLK/FBI” (MLK/FBI), de Sam Pollard
“Paraíso” (Paradise), de Sérgio Tréfaut
“Presidente” (President), de Camilla Nielsson
“Sob Total Controle” (Totally Under Control), de Alex Gibney, Ophelia Harutyunyan e Suzanne Hillinger
“Vicenta” (Vicenta), de Dario Doria
Curtas- metragens:
“Uma Cidade e uma Mulher” (Une Ville Et Une Femme/ A City and a Woman), de Nicolas Khoury
“E14 (E14)”, de Peiman Zekavat
“A Montanha Lembra?” (Puede Una Montaña Recordar/ Can a mountain recall?), de Delfina Carlota Vazquez
“Um Pai que Você Nunca Teve” (Dad You’ve Never Had), de Dominika Lapka
“Num Piscar de Olhos” (In the Blink of an Eye/ In Ictu Oculi), de Jorge Moneo Quintana
“Projetando a Utopia” (Tracing Utopia), de Catarina de Sousa & Nick Tyson
“Quando o Mar Manda uma Floresta” (当海里长出森林 / When the Sea Sends Forth a Forest), de Guangli Liu
“Sequência de Lacunas sem Nome” (Untitled Sequence of Gaps), de Vika Kirchenbauer
“Terapia Deepfake” (Deepfake Therapy), de Roshan Nejal

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