‘Frankie’ leva Sintra às telas da França

‘Frankie’ leva Sintra às telas da França

Rodrigo Fonseca

03 de setembro de 2019 | 11h23


Rodrigo Fonseca
Soterrado em Cannes por titãs como Almodóvar e Tarantino e por novos queridinhos como Bong Joon-Ho, “Frankie”, dramédia à moda Eric Rohmer (“O joelho de Claire”), foi esnobada pelo júri oficial da Croisette e mesmo por parte da imprensa, que perdeu a chance de celebrar o mais sólido trabalho do americano Ira Sachs como realizador. Trabalho esse que usa a cidade portuguesa de Sintra como cenário. Nesta sexta, o filme estreia na França, buscando prestígio entre os cinéfilos. Miudezas da vida portuguesa adicionam gemas de ovo cultural a uma massa agridoce cujos ingredientes são as hipocrisias inerentes ao convívio familiar. Realizador de dois filmes de maturidade – “O amor é estranho”, de 2014, e “Melhores amigos”, de 2016 -, Sachs chegou à competição do mais prestigiado festival do planisfério cinéfilo apoiado numa Isabelle Huppert que debocha das convenções do cinema. Ela vive uma diva, portadora de uma doença que pode custar-lhe o viço e a vida, que arma um encontro de família para acertar conflitos domésticos. Mas o que deveria ser uma celebração frugal em Portugal vira um cenário para uma dramédia burguesa de lavação de roupa suja. A fotografia de Rui Poças, um artesão em seu apogeu, colore aqueles campos turísticos com pigmentos de uma beleza que se descasca, para revelar todo o enfado do deslumbre turístico. Completam o elenco Marisa Tomei, Jérémie Tenier, Brendan Gleeson, Carloto Cotta e um inspirado Greg Kinnear. A excelência desta longa vem dos diálogos que o brasileiro Maurício Zacharias, colaborador habitual de Sachs, constrói a partir de farpas da indústria audiovisual.

Falando das terrinhas lusitanas, a Cinemateca do MAM-RJ apresenta, até sexta, a mostra Perspectivas do Cinema Português. Nesta terça, às 18h30, tem “Cordão verde” (2009), de R. Torres e H. Suzuki, e “Wolfram, a saliva do lobo”, de J. Torgal e R. Pimenta.

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