Frank Stallone ganha holofotes digno dos Balboa

Frank Stallone ganha holofotes digno dos Balboa

Rodrigo Fonseca

07 de janeiro de 2021 | 12h13

Rodrigo Fonseca
Tem dois filmes de ficção com Sylvester Stallone previstos para estrear em 2021: “Samaritan”, uma história sobre um super-herói aposentado, a versão director’s cut de “Rocky IV”, dirigido por ele em 1985 e coroado com uma bilheteria de US$ 300 milhões. Mas há também um .doc com e parcialmente sobre o eterno Rambo para estrear agora em janeiro: no próximo dia 19 estreia no iTunes “Stallone, Frank: That Is”. Trata-se de uma investigação documental sobre o irmão de Sly. Escalado para uma participação no thriller “Veteran’s day”, em paralelo a seu trabalho como dublador de animações nos EUA, onde cede o vozeirão de crooner aos Transformers, Frank Stallone chegou aos 70 anos, no dia 30 de julho de 2020, escolado nos prazeres e nos dissabores que um sobrenome famoso pode ter. Apesar de uma carreira prolífica como músico, que teve pico nos anos 1980, o irmão mais moço de Seu Sylvester, o eterno Rocky Balboa, amargou muito preconceito. Foi alvo de muito desdém por ter parentesco com um dos astros de maior popularidade de Hollywood. Mas o reconhecimento costuma chegar para quem trabalha duro. O documentário sobre sua trajetória artística, pilotado por Derek Wayne Johnson, anda colecionando prêmios em solo americano. Lançado em mostras estrangeiras em 2019, em paralelo à estreia mundial de “Rambo: Até o fim”, o longa sobre Frank abocanhou o prêmio de Melhor Filme de Não Ficção no Festival de Burbank à força de sua bem-humorada narrativa. O trabalho de pesquisa de Derek explora a arte de resistir a partir das peripécias afetivas de um artista que tem, em sua família, um dos maiores astros que o cinema de ação já revelou. Derek tem ainda um filme sobre a história de “Rocky” já lançado e dirigiu, em 2016, um filme memorável sobre o diretor John G. Avildsen (1935-2017), chamado “King of Underdogs”. Ainda menino, esse realizador texano viu “Roxky, um lutador” (1976) e teve sua vida iluminada pelas lições de resiliência do Garanhão Italiano. “O talento é o maior legado dos irmãos Stallone”, disse o cineasta ao Estadão em 2019, explicando que, em triagem sobre os feitos de Sylvester, chegou à rotina de Frank. Este costuma lotar as casas noturnas onde solta seu suingue ao som de baladas, de rocks e de standards da música popular made in USA. “Far from over”, de 1983, é sua canção mais pedida pelos fãs, que conheceram seus estilos no malfadado “Os Embalos de Sábado Continuam” (“Staying Alive”), com John Travolta de volta ao icônico papel de Tony Manero. Foi seu mano Sly quem dirigiu o longa. Ali, Frank ensaiou um estrelato que acabou limitado a alguns LPs e a um círculo restrito, mas fiel de ouvintes. A paixão de tietes, que colecionam seus discos e compartilham links de suas aparições na internet (a tocar instrumentos de corda variados), é um dos focos do documentário de Wayne Johnson, ainda inédito no Brasil.

p.s.: Premiado no Festival SXSW, em Austin, no Texas, com uma láurea para a fotografia de Jacques Cheuíche, o documentário “Amazônia Groove”, de Bruno Murtinho, sobre o esplendor musical (e sensorial) da região amazônica, abre nesta segunda, dia 11, o Cineclube Casas Casadas, em Laranjeiras, onde fica a sede da Riofilme. A iniciativa é comandada por um dos mais lendários fotógrafos das Américas, Affonso Beato, integrante da American Society of Cinematographers (ASC). A curadoria fica ao cargo do crítico de cinema Ricardo Cota. A sessão e o debate, que será mediado pelo diretor Walter Lima Jr., com a presença de Cheuíche, será realizado via web. Inscrições podem ser feitas no site da Associação Brasileira de Cinematografia: https://abcine.org.br/site/. Gratuita, a sessão virtual é às 18h, seguida pelo bate-papo.

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