Franco Zeffirelli segue animado, e filmando, aos 94 anos

Franco Zeffirelli segue animado, e filmando, aos 94 anos

Rodrigo Fonseca

08 de setembro de 2017 | 15h03

Nascido na Toscana em 1923, o diretor Franco Zeffirelli inspirou um centro de artes, em Florença, com seu nome, e segue fazendo curtas

Rodrigo Fonseca
Longe das salas exibidoras desde 2002, quando lançou Callas Forever, o mítico diretor toscano Franco Zeffirelli, papa do melodrama nos anos 1960, 70 e 80, voltou, aos 93 anos, a assinar a direção de um filme…e de animação. E isso no momento que o autor cinematográfico por trás de cults como Jesus de Nazaré (1977) e O Jovem Toscanini (1988) está prestes a comemorar 60 anos de carreira como realizador, tendo estreado neste ofício em 1958. Seu novo trabalho, Inferno, hoje em exibição no Centro de Estudos de Artes Dramáticas que leva o nome do cineasta, em Florença, é um curta-metragem animado com base em croquis desenhados por ele, há quatro décadas, para um filme com base na prosa de Dante e na Bíblia. Para quem esqueceu, Zeffirelli fez alguns dos mais audaciosos longas-metragens religiosos de que o cinema moderno tem notícia, sempre pautado pelo requinte plástico.

Décadas antes de o espanhol Pedro Almodóvar assumir o trono de rei das narrativas melodramáticas, este posto pertencia ao italiano, nascido na Toscana em 1923, que repaginou o filão das lágrimas a partir dos tecidos e das cores da elegância. São 70 anos de cinema nas costas, uma vez que ele iniciou sua trajetória audiovisual como ator, em 1947. Começou a filmar em 1958, dirigindo Nino Manfredi em Weekend de Amor. Ganhou notoriedade como um artífice do romantismo, carregando a mão no açúcar e no pranto a cada mergulho na história de homens e mulheres que se doam pelo querer. Quem não suspirou pelas juras trocadas entre Leonard Whiting e Olivia Hussey, ao som de Nino Rota, em Romeu e Julieta (1968), pelo qual ele concorreu ao Oscar? E quem é que não se comoveu com Ricky Scroeder chorando para Jon Voight em O Campeão (1979)?

Mel Gibson no reino da Dinamarca: um Hamlet em tintas de melodrama

Há quem faça troça do fato de ele ter escalado Mel Gibson para ser o Príncipe da Dinamarca em Hamlet (1990). Mas como esquecer Plácido Domingo como Mouro de Veneza na versão melômana de Othello indicada à Palma de Ouro em 1988? Poucos estetas desafiaram tanto a cafonice como ele, indo além dela.

 

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